Rubens Barrichello está de volta a um Mundial. Mas desta vez o desafio representa também um retorno ao lugar onde praticamente toda grande carreira do automobilismo começa.
O kart.
Aos 54 anos, o ex-piloto de Fórmula 1 disputa entre esta sexta-feira (18) e domingo (20), em Le Mans, na França, o Mundial de Kart da FIA na categoria KZ2 Masters.
Será a primeira participação de Barrichello na competição em dez anos. Mas existe uma novidade que transforma o retorno em algo maior do que simplesmente voltar a pilotar.
O fim de semana também marca a estreia mundial do Barrichello Kart, projeto desenvolvido em parceria com a fabricante italiana Birel ART.
A última participação de Barrichello em um Mundial de Kart aconteceu em 2016, quando competiu na principal categoria KZ, em Kristianstad, na Suécia.
Agora, retorna em uma situação diferente.
A KZ2 Masters é destinada a pilotos acima dos 35 anos e utiliza karts com câmbio, máquinas que exigem precisão nas frenagens, trocas de marcha e controle em disputas extremamente próximas.
Para Barrichello, também representa uma conexão direta com suas próprias origens.
Foi no kart que começou uma trajetória que posteriormente o levaria a disputar 323 Grandes Prêmios em 19 temporadas de Fórmula 1.
Se em 2016 o objetivo estava concentrado exclusivamente na competição, desta vez existe outro componente.
Barrichello chega a Le Mans também como parte de um projeto que carrega seu próprio nome.
O Barrichello Kart foi desenvolvido em parceria com a Birel ART, tradicional fabricante italiana de chassis, com participação direta do brasileiro.
“Estou muito feliz em ver meu nome em um kart Birel ART e muito orgulhoso deste trabalho e deste projeto”, afirmou Barrichello antes da competição.
A iniciativa também começa a ocupar espaço nas categorias de formação, incluindo a FIA Karting Junior.
Le Mans, portanto, servirá como uma vitrine internacional para o equipamento.
Barrichello já teve a oportunidade de competir em Le Mans antes do Mundial.
Em uma prova preparatória, terminou em terceiro no seu grupo de classificação e conseguiu resultados entre os cinco primeiros nas baterias.
Na final, disputou posições próximas ao top 10.
O desempenho serve como referência para a adaptação ao circuito e ao equipamento, mas o Mundial apresenta um desafio diferente.
A regularidade durante classificações e baterias será determinante para chegar à decisão em condições de disputar as primeiras posições.
A carreira de Barrichello naturalmente torna sua presença um dos atrativos da competição.
O brasileiro passou por equipes como Jordan, Stewart, Ferrari, Honda e Williams na Fórmula 1.
Na Ferrari, viveu o período mais vitorioso de sua passagem pela categoria, dividindo equipe com Michael Schumacher e conquistando nove vitórias.
Depois da F1, Barrichello continuou competindo e construiu também uma trajetória importante no automobilismo brasileiro, incluindo títulos na Stock Car.
Mas nenhuma dessas experiências transforma o Mundial de Kart em um compromisso simples.
Os karts de marcha apresentam características próprias, com disputas muito próximas, frenagens agressivas e pouca margem para erros.
Não se trata de tentar reproduzir a carreira da Fórmula 1 em uma categoria diferente.
É outro desafio.
A programação em Le Mans começa nesta sexta-feira (18), com atividades de pista e sessões classificatórias.
As disputas continuam no sábado, enquanto a decisão está programada para domingo (20).
Para Barrichello, o resultado esportivo será apenas uma das histórias do fim de semana.
Existe também a oportunidade de colocar o Barrichello Kart diante de equipes, pilotos e profissionais de diferentes países em uma das principais competições internacionais da modalidade.
É fácil enxergar a participação de Rubens Barrichello como um retorno às origens.
Mas talvez o movimento mais interessante seja justamente o contrário.
Aos 54 anos, depois de 323 GPs de Fórmula 1 e décadas dedicadas ao automobilismo, Barrichello continua encontrando maneiras de construir algo novo dentro do esporte.
Desta vez, não estará apenas atrás do volante.
Também colocará na pista um projeto que leva seu nome.
Dez anos depois de sua última participação no Mundial, Barrichello retorna ao kart não apenas para lembrar onde tudo começou, mas para apresentar aquilo que pretende construir para o futuro.
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