A China reuniu especialistas, jornalistas e artistas de quase 20 países na 4ª edição do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, realizada em Chongqing. O encontro discutiu a relação entre diferentes civilizações formadas ao redor dos grandes rios e formas de ampliar a cooperação internacional.
O Brasil participou com pesquisadores e jornalistas. Além do Yangtzé, estiveram em discussão experiências relacionadas a rios como Amazonas, Nilo, Danúbio e Mississippi.
Com o tema “Conectando Rios e Mares, compartilhando a sabedoria das civilizações”, o fórum integra iniciativas chinesas de intercâmbio cultural e cooperação entre países.
Com cerca de 6,3 mil quilômetros, o Yangtzé é o maior rio da Ásia e um dos principais eixos econômicos da China. O rio atravessa importantes regiões industriais e conecta áreas do interior ao porto de Xangai.
Durante o fórum, pesquisadores chineses apresentaram estudos sobre o desenvolvimento de antigas sociedades na região. Pesquisas arqueológicas indicam que o cultivo de arroz na bacia do Yangtzé remonta a quase 10 mil anos.
Especialistas de outros países também compartilharam experiências. Pesquisadores egípcios apresentaram métodos utilizados no monitoramento das águas do Nilo para antecipar períodos de seca e enchentes.
A expansão econômica e industrial chinesa nas últimas décadas também provocou impactos ambientais no Yangtzé. Entre os casos está o desaparecimento do Baiji, espécie de golfinho de água doce do rio considerada funcionalmente extinta desde os anos 2000.
Nos últimos anos, a China adotou medidas de recuperação ambiental, incluindo restrições à pesca profissional e projetos de restauração de ecossistemas.
O país também incorporou às políticas públicas o conceito de “civilização ecológica”, que busca conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. O tema tornou-se prioridade nacional em 2012 e foi incorporado à Constituição chinesa em 2018.
A relação entre o Yangtzé e o Amazonas também ganhou espaço no encontro. Uma equipe do Centro Internacional de Comunicação do Oeste da China (WCICO) esteve no Brasil para produzir o documentário “Quando o Yangtzé encontra o Amazonas”, ainda sem lançamento.
A produção acompanha comunidades ribeirinhas e busca apresentar semelhanças e diferenças na relação das populações brasileiras e chinesas com os rios.
A pesquisadora Vera Maria Ferreira da Silva, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), participou do fórum e defendeu que o Brasil observe experiências internacionais para evitar impactos ambientais durante o desenvolvimento econômico da Amazônia.
Segundo a pesquisadora, atividades relacionadas a produtos como açaí e castanha-do-Brasil podem gerar renda ao mesmo tempo em que contribuem para a manutenção da floresta.
O professor André Pereira Reinnert Tokarski, do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa), também participou do encontro. Ele defendeu a busca por um modelo que concilie atividade econômica, condições de vida da população amazônica e proteção ambiental.