O Atlético de Madrid venceu o Real Madrid por 2 a 1, no Metropolitano, pela sétima rodada de La Liga. Mas o placar terminou dividido com outro assunto que ganhou força depois do apito final: a arbitragem.
O clássico teve expulsão, pênalti, intervenções do VAR e diferentes interpretações em lances de contato forte. As decisões provocaram reclamações do Real Madrid e colocaram o árbitro Ortiz Arias e a atuação do vídeo no centro do debate.
A discussão ganhou ainda mais peso posteriormente, quando informações da imprensa espanhola apontaram que o próprio Comitê Técnico de Árbitros considerou equivocada uma das decisões tomadas durante o dérbi.
Dentro de campo, porém, o resultado permanece: o Atlético conquistou três pontos importantes, chegou aos 16 e ultrapassou o Real Madrid, que ficou com 15.
A discussão começou ainda no primeiro tempo.
Cuti Romero atingiu a região do joelho de Bellingham durante uma disputa. Inicialmente, o árbitro chegou a punir o jogador do Real Madrid, mas mudou a decisão após intervenção do VAR e aplicou amarelo ao defensor do Atlético.
Pouco depois, outro lance aumentou a temperatura.
Kang-In Lee atingiu o tornozelo de Federico Valverde com as travas. Desta vez, não houve cartão nem recomendação para que Ortiz Arias revisasse a jogada no monitor.
A entrada ganhou repercussão ainda maior após o Real Madrid informar que Valverde sofreu um trauma grave no tornozelo esquerdo.
No segundo tempo, a tecnologia voltou a interferir.
Huijsen derrubou Giuliano Simeone e recebeu inicialmente cartão amarelo.
O VAR recomendou a revisão.
Depois de analisar as imagens, Ortiz Arias mudou sua decisão, expulsou o defensor do Real Madrid e marcou pênalti para o Atlético.
Grimaldo converteu a cobrança.
Com um jogador a mais, o Atlético ampliou com J. David. O Real ainda descontou aos 89 minutos, com Rüdiger, mas não conseguiu evitar a derrota.
A discussão não terminou no gramado.
José Mourinho levou imagens impressas dos lances envolvendo Romero e Kang-In Lee para a entrevista coletiva e argumentou que ambos deveriam ter recebido cartão vermelho.
Para o treinador, as decisões tiveram influência importante no desenvolvimento do clássico.
A reclamação, entretanto, representa a interpretação do técnico do Real Madrid sobre os episódios.
Diego Simeone adotou outra postura e defendeu que as decisões da arbitragem precisam ser respeitadas, além de afirmar que as críticas não deveriam ultrapassar determinados limites.
A controvérsia ganhou uma nova dimensão após a partida.
Segundo informações divulgadas pela imprensa espanhola, o Comitê Técnico de Árbitros avaliou posteriormente que Kang-In Lee deveria ter sido expulso pela entrada em Valverde.
O lance não havia sido revisado pelo VAR durante a partida.
Já no caso de Romero, a interpretação de que a entrada não justificava expulsão teria sido considerada defensável pelo comitê.
A avaliação posterior é importante porque amplia a discussão para além da reclamação do Real Madrid.
O clássico oferece mais um exemplo de uma questão que acompanha o VAR desde sua implantação.
A tecnologia consegue oferecer diferentes ângulos, repetições e imagens detalhadas.
Mas ela não elimina a interpretação humana.
No Metropolitano, três situações ajudam a mostrar isso.
Em uma, o VAR participou e a punição terminou em amarelo.
Em outra, não recomendou revisão em um lance posteriormente considerado passível de expulsão.
E na terceira, chamou o árbitro ao monitor e uma decisão inicialmente de amarelo terminou em vermelho e pênalti.
Isso não significa que lances aparentemente semelhantes precisem necessariamente receber a mesma punição. Intensidade, ponto de contato, velocidade, uso das travas e risco ao adversário são elementos que podem alterar a interpretação.
O problema aparece quando jogadores, treinadores e torcedores deixam de compreender qual parâmetro está sendo utilizado.
Apesar de toda a discussão, o Atlético saiu do clássico com aquilo que mais importava para a classificação.
Os três pontos.
A vitória levou a equipe aos 16 pontos e à vice-liderança, enquanto o Real permaneceu com 15.
Para a equipe de Mourinho, as consequências também ultrapassam a derrota.
Além da expulsão de Huijsen, existe preocupação com a condição de Valverde.
E o Real precisará impedir que a discussão sobre arbitragem esconda eventuais problemas apresentados pela própria equipe durante o confronto.
Talvez essa seja a principal conclusão deixada pelo dérbi.
O VAR pode reduzir determinados erros, oferecer imagens que o árbitro não conseguiu enxergar em velocidade normal e corrigir decisões importantes.
Mas não consegue retirar o componente humano da arbitragem.
A tecnologia pode ser a mesma. O problema é quando o critério parece mudar de um lance para outro.
O Atlético venceu o clássico.
O Real deixou o Metropolitano reclamando.
E a arbitragem espanhola termina a rodada novamente diante de uma pergunta que também aparece em outras grandes ligas: se o VAR consegue mostrar praticamente tudo, como tornar mais previsível e compreensível aquilo que os árbitros decidem fazer com essas imagens?
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