Mundo 81ª Assembleia Geral
Em despedida, Guterres alerta para crise na ONU e riscos da IA
Em seu último discurso de abertura da Assembleia Geral como secretário-geral, português defendeu reformas na organização e maior controle sobre a inteligência artificial
22/09/2026 11h09
Por: Redação
Foto: Reprodução

Em tom de despedida, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, abriu nesta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral alertando para o enfraquecimento da cooperação internacional e defendendo reformas na organização. O português deixa o cargo em 31 de dezembro, após quase dez anos à frente da ONU.

Diante dos líderes reunidos em Nova York, Guterres afirmou que a humanidade enfrenta quatro grandes desafios relacionados à paz, à desigualdade, ao clima e ao avanço da inteligência artificial.

Ao fazer um balanço da última década, o secretário-geral destacou o aumento dos conflitos e o enfraquecimento do respeito às normas internacionais.

“Na última década, eclodiram guerras de consequências devastadoras, prolongando-se com uma crueldade execrável. Civis foram alvos de ataques. Direitos humanos foram atropelados. A fome foi utilizada como arma. Trabalhadores humanitários foram mortos. O direito internacional foi deixado de lado. As divisões geopolíticas se aprofundaram.”

Guterres também chamou a atenção para o aumento das divisões internacionais e para as dificuldades enfrentadas pelas instituições multilaterais diante das mudanças na distribuição do poder global.

“O mundo não precisa de uma ONU mais fraca”

Ao defender mudanças na organização, Guterres afirmou que as estruturas internacionais precisam acompanhar as transformações ocorridas desde a criação da ONU.

“O mundo não precisa de uma Organização das Nações Unidas mais fraca. Precisa de uma ONU forte o suficiente para encarar o mundo como ele é – e determinada o suficiente para construir o mundo como ele deveria ser.”

O secretário-geral também alertou para o aprofundamento das diferenças geopolíticas e econômicas.

“As fissuras transformaram-se em desfiladeiros.”

Entre as mudanças defendidas por Guterres está uma reforma das instituições da ONU, incluindo o Conselho de Segurança, para ampliar a representatividade diante da atual configuração política e econômica mundial.

Guterres alerta para avanço da inteligência artificial

A inteligência artificial ocupou parte importante do último discurso de abertura de Guterres. O secretário-geral reconheceu o potencial da tecnologia, mas alertou que seu desenvolvimento avança mais rapidamente do que a compreensão dos riscos associados a ela.

Ele defendeu a criação de mecanismos internacionais para administrar esses riscos, com supervisão independente e regras multilaterais para o desenvolvimento e uso da tecnologia.

Guterres também reforçou a importância da Carta das Nações Unidas como base para limitar o exercício do poder nas relações internacionais.

“As Nações Unidas existem porque o poder exige regras – e a humanidade precisa de um lugar onde o poder responda a princípios.”

E acrescentou:

“A Carta criou uma organização alicerçada em três pilares: paz, desenvolvimento e direitos humanos.”

O discurso desta terça-feira foi o último de Guterres na abertura do debate geral como secretário-geral. Ele ocupa o cargo desde janeiro de 2017 e encerra o segundo mandato no fim deste ano.