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BC prevê altos juros por período prolongado
Mesmo após reduzir a Selic para 13,75%, Copom indica que inflação ainda exige uma política monetária rigorosa
22/09/2026 14h56
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O ciclo de queda da Selic não significa que o Brasil esteja próximo de abandonar os juros elevados. O Banco Central sinalizou nesta terça-feira (22) que pretende manter a política monetária restritiva por mais tempo diante das dificuldades para levar a inflação de volta à meta de 3%.

A avaliação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo desde março, quando começou o atual ciclo de redução.

O principal ponto de atenção do Banco Central está nas expectativas de inflação. Para os integrantes do Copom, quando as projeções permanecem afastadas da meta, é necessário manter uma restrição maior sobre a economia.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, registra a ata.

Os efeitos dos juros altos começam a ser percebidos com mais intensidade na atividade econômica. O BC identifica perda de ritmo em setores mais sensíveis ao crédito, além de desaceleração nas operações de financiamento de prazos mais longos.

O mercado de trabalho, entretanto, continua aquecido. O desemprego permanece em patamar historicamente baixo e os salários avançam acima da produtividade. Para o Copom, esse cenário ainda pode sustentar o consumo e dificultar uma redução mais rápida dos preços.

“Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, afirma o documento.

As projeções do próprio Banco Central mostram esse desafio. O cenário de referência prevê inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027. Para o primeiro trimestre de 2028, período atualmente considerado nas decisões sobre os juros, a estimativa é de 3,2%, próxima, mas ainda acima do centro da meta de 3%.

Próximos cortes não estão garantidos

Mesmo depois de cinco reduções consecutivas da Selic, o Copom evitou antecipar suas próximas decisões. O tamanho e a velocidade do ciclo de cortes dependerão dos novos indicadores de inflação e atividade econômica.

O mercado financeiro ainda espera espaço para redução neste ano. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira (21) aponta Selic de 13,50% no encerramento de 2026. Para a inflação, a projeção do mercado subiu de 4,90% para 4,92% neste ano e permaneceu em 4,30% para 2027.

Além da inflação de serviços e das expectativas acima da meta, o Banco Central acompanha riscos externos. Oscilações no preço do petróleo e possíveis impactos climáticos sobre a produção agrícola e a geração de energia podem aumentar a pressão sobre os preços.

No sentido contrário, uma desaceleração mais intensa da economia, a redução dos preços das commodities e um ambiente internacional que limite investimentos podem ajudar no processo de queda da inflação.

Com a Selic em 13,75%, o Banco Central mantém a indicação de que novos cortes são possíveis, mas reforça que a redução dos juros continuará condicionada à trajetória da inflação e à aproximação das expectativas em relação à meta.