Uma manifestação realizada em Nova York usou inteligência artificial para colocar a disputa eleitoral brasileira no centro de uma crítica à interferência estrangeira. Na madrugada desta terça-feira (22), imagens do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entregando simbolicamente a faixa presidencial brasileira a Donald Trump foram projetadas em pontos da cidade.
O vídeo é uma montagem produzida com inteligência artificial e não registra um encontro ou uma entrega real da faixa. A ação foi organizada pela Choose Democracy com participação de ativistas brasileiros, horas antes da abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU.
As projeções foram exibidas em locais como a Ponte do Brooklyn e a região do Holland Tunnel. O material apresentava a frase “Pau mandado Flávio Bolsonaro: quem manda no Brasil é o povo brasileiro”.
A expressão utilizada na projeção representa a mensagem política dos organizadores do protesto e não uma caracterização do Lig.News sobre o candidato.
Segundo Daniel Hunter, coordenador da Choose Democracy, a manifestação teve como objetivo chamar atenção para possíveis tentativas de influência dos Estados Unidos em decisões internas de outros países.
A discussão ganhou espaço às vésperas das eleições brasileiras e em meio às tensões recentes entre Brasília e Washington.
Na segunda-feira (21), Lula afirmou em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN International, que Trump teria sinalizado a interlocutores que não pretende se envolver nas eleições brasileiras.
“Ele já disse para muita gente que não vai se envolver nas eleições brasileiras. E é bom que seja assim”, declarou Lula.
O presidente também afirmou estar preocupado com uma eventual influência externa sobre o processo eleitoral, mas reconheceu que, até o momento, parte dessas preocupações permanece no campo da suspeita.
Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), encaminhado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou aumento do nível de atenção para uma possível influência dos Estados Unidos no pleito brasileiro. O documento não representa, por si só, comprovação de que uma interferência eleitoral tenha ocorrido.
O tema também apareceu no discurso de Lula na ONU nesta terça-feira. Sem citar diretamente os Estados Unidos nesse trecho, o presidente criticou interferências externas em processos eleitorais e defendeu a soberania brasileira.