A vitória por 2 a 1 sobre o Avaí, no último domingo (20), terminou sem entrevistas de jogadores ou do técnico Mozart. Um dia depois, o motivo do silêncio ganhou uma explicação pública.
Atletas do Goiás divulgaram uma carta aberta ao torcedor esmeraldino para explicar o protesto realizado na Serrinha e cobrar a regularização dos pagamentos atrasados.
O elenco convive com dois meses de salários, dois meses de direitos de imagem e cinco premiações por vitórias em atraso. Funcionários do clube também possuem pelo menos o salário de agosto pendente.
Segundo as informações divulgadas, a decisão de protestar aconteceu depois que uma promessa da diretoria de pagar parte dos valores nos últimos dias não foi cumprida.
O Goiás informou que não irá se manifestar sobre a carta aberta dos jogadores.
Na carta, os atletas afirmam que deixar de falar com a imprensa não foi uma decisão impulsiva.
O grupo relata que vinha tentando solucionar a situação internamente por meio de conversas com a diretoria, enquanto continuava cumprindo normalmente suas atividades.
Treinamentos, viagens e partidas foram mantidos mesmo diante dos atrasos.
“Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações”, afirma um trecho do documento.
O técnico Mozart também não concedeu entrevista depois da vitória sobre o Avaí, em solidariedade aos jogadores.
Um dos pontos mais fortes da carta é a decisão do elenco de ampliar a cobrança para além do futebol profissional.
Os jogadores destacam a situação dos funcionários que recebem salários menores e trabalham diariamente em áreas como manutenção dos campos, limpeza, alimentação, segurança e atendimento.
Segundo os atletas, essas pessoas também possuem famílias, contas e responsabilidades financeiras.
“Por isso, nosso silêncio ontem também foi por eles”, afirma o documento.
A manifestação transforma uma reivindicação inicialmente ligada ao elenco em uma cobrança sobre a situação de diferentes setores do clube.
Mesmo tornando a insatisfação pública, os jogadores fizeram questão de separar o protesto da relação com a instituição e com a torcida.
O elenco afirma que continuará treinando, viajando e disputando normalmente as partidas da Série B.
Os atletas também reforçam que a cobrança não é direcionada ao torcedor.
“Mas também somos trabalhadores. Temos compromissos, famílias e direitos”, diz outro trecho da carta.
A mensagem central apresentada pelo grupo é de que os compromissos financeiros assumidos sejam cumpridos tanto com os jogadores quanto com os demais profissionais do Goiás.
A manifestação representa uma mudança importante no tamanho da crise.
Até então, a questão vinha sendo discutida internamente.
A decisão de não conceder entrevistas ocorreu depois de uma promessa de pagamento de parte dos atrasados não ter sido cumprida dentro do prazo esperado.
Com isso, jogadores que até então mantinham a cobrança nos bastidores decidiram tornar a situação pública.
A carta é assinada coletivamente pelos “Atletas do Goiás Esporte Clube”.
O momento também chama atenção pelo contraste.
Dentro das quatro linhas, o Goiás conseguiu vencer o Avaí por 2 a 1 e tenta reagir na reta final da Série B.
Fora delas, jogadores e funcionários convivem com pagamentos atrasados.
A manifestação mostra que, apesar da continuidade do trabalho dentro de campo, existe desgaste na relação entre o elenco e a administração.
E a cobrança agora está exposta.
O grupo afirma que não pretende criar um conflito, mas encontrar uma solução que permita voltar as atenções exclusivamente para o futebol.
O episódio acontece justamente antes de um dos jogos mais importantes desta reta final.
O Goiás recebe o Atlético-GO no sábado (26), às 18h30, na Serrinha.
Será o primeiro compromisso da equipe depois da publicação da carta e colocará novamente jogadores, comissão técnica e diretoria sob os holofotes.
O elenco garante que continuará defendendo normalmente a camisa esmeraldina.
Mas deixou uma mensagem difícil de ignorar.
O silêncio depois da vitória sobre o Avaí terminou. Agora, a cobrança dos jogadores por salários, direitos de imagem, premiações e respeito aos funcionários é pública.
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