
A defesa de Carla Zambelli pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma autorização para que a ex-deputada retorne temporariamente ao Brasil durante as eleições de 2026 sem ser presa. O objetivo apresentado pelos advogados é permitir que ela participe da votação e apoie a mãe, Rita Zambelli, candidata a deputada federal por São Paulo.
O habeas corpus preventivo foi protocolado nesta segunda-feira (21). A solicitação prevê que Zambelli possa entrar no Brasil, votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, e depois retornar à Itália.
A ex-parlamentar está no país europeu desde 2025 e possui ordens de prisão decorrentes de condenações impostas pelo STF. Por isso, a defesa argumenta que existe risco de prisão caso ela desembarque em território brasileiro.
“O pedido de liminar é para que o STF conceda salvo-conduto exclusivamente para permitir a entrada da ex-deputada no país, garantir também o regresso da ex-deputada à Itália e o exercício do voto, impedindo sua prisão durante o período necessário para essas finalidades”, afirmou o advogado Eduardo Mauricio.
Além da autorização temporária, os advogados querem suspender atos relacionados à execução das condenações de Zambelli.
A defesa relaciona o pedido a procedimentos que tramitam no Supremo sobre o caso Banco Master e cita a PET 16.662, que envolve registros de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
Os próprios advogados, no entanto, reconhecem que esse procedimento ainda não estabeleceu eventual responsabilidade de Moraes.
“A própria petição ressalva que a PET 16.662/DF não produziu conclusão sobre eventual responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes e que a investigação ainda está em andamento”, afirmou a defesa.
Os argumentos apresentados por Zambelli ainda dependem de análise do Supremo.
Em uma das ações, Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pela invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em outro processo, recebeu pena de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal no episódio em que perseguiu um homem armada em São Paulo, em 2022.
A ex-deputada deixou o Brasil em 2025. Ela chegou a ser presa na Itália durante o processo relacionado ao pedido brasileiro de extradição, mas posteriormente foi colocada em liberdade por decisão da Justiça italiana.
Agora, caberá ao STF decidir se concede o salvo-conduto solicitado pela defesa para que Zambelli possa retornar temporariamente ao país durante o período eleitoral.