
O futebol brasileiro terá mudanças importantes a partir de 2027. Em reunião realizada nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, a CBF, clubes das Séries A e B e federações estaduais aprovaram alterações que atingem diretamente a montagem dos elencos e a organização das rodadas do Campeonato Brasileiro.
A principal decisão envolve os jogadores estrangeiros. O limite atual de nove atletas relacionados por partida será reduzido gradualmente até chegar a cinco em 2030.
A proposta recebeu apenas dois votos contrários, de Flamengo e Bahia.
Outra mudança busca aumentar a participação de jogadores jovens. Os clubes continuarão podendo inscrever até 50 atletas, mas passarão a dividir essa relação entre jogadores acima de 23 anos e Sub-23.
Também haverá uma reformulação dos horários das Séries A e B, com menos janelas diferentes e maior concentração das partidas em determinados dias.
A mudança não acontecerá de uma vez.
O limite seguirá uma redução progressiva:
A decisão ocorre depois de um período de forte crescimento da presença internacional no Brasileirão.
O limite era de três estrangeiros por partida em 2013 e passou para cinco em 2014. Em 2023, subiu para sete e chegou aos atuais nove em 2024.
Em 2026, 172 jogadores estrangeiros já foram utilizados no futebol brasileiro.
O argumento apresentado está diretamente relacionado à formação de jogadores brasileiros.
Segundo estudo da CBF Academy, a participação de estrangeiros acima de 23 anos aumentou significativamente nos últimos anos, enquanto jovens brasileiros perderam espaço.
Entre 2020 e 2026, os estrangeiros acima de 23 anos passaram de 7,8% para 25% dos minutos disputados na Série A.
No mesmo período, os brasileiros Sub-23 caíram de 28,3% para 11,5%.
Considerando brasileiros e estrangeiros, atletas Sub-23 representam atualmente apenas 13,8% dos minutos disputados no Brasileirão.
Na comparação apresentada pela CBF, o índice chega a 38% na França, 32% na Inglaterra, 31% na Espanha e 28% em Alemanha e Itália.
Outro dado utilizado para sustentar a proposta envolve a idade dos jogadores.
A média da Série A passou de 27,3 anos em 2021 para 28,5 em 2026, a maior entre as seis ligas analisadas pela CBF.
A idade média das contratações realizadas pelos clubes brasileiros também chegou a 26,3 anos.
Para a entidade, o cenário mostra uma combinação entre aumento da presença de jogadores mais experientes e estrangeiros e diminuição das oportunidades para atletas formados nas categorias de base.
Existe ainda um componente financeiro.
Entre 2016 e 2025, jogadores de até 20 anos representaram 50,1% das receitas brasileiras com transferências internacionais consideradas no estudo.
Dar espaço para jovens, portanto, também está relacionado à capacidade dos clubes de desenvolver e negociar jogadores.
O número máximo de atletas inscritos permanecerá em 50.
O que muda é a composição.
Serão criadas duas relações: Lista A, para jogadores acima de 23 anos, e Lista B, destinada aos Sub-23, sem necessidade de terem sido formados pelo próprio clube.
Em 2027 serão 30 jogadores na Lista A e 20 na Lista B.
A divisão muda progressivamente até chegar, em 2030, a 25 jogadores em cada lista.
Segundo o levantamento apresentado, 33 dos 40 clubes das Séries A e B já possuem até 30 jogadores acima de 23 anos inscritos, o que diminuiria o impacto imediato da primeira etapa da mudança.
A outra grande alteração está fora das quatro linhas.
Entre 2023 e 2025, a Série A teve 51 combinações diferentes de horários. Na Série B, foram 81.
A intenção agora é simplificar.
Na Série A, o domingo volta a concentrar grande parte das partidas, com 16h como horário-âncora. A faixa das 11h também volta a aparecer de maneira fixa.
Durante a semana, a quarta-feira ganhará protagonismo com seis partidas na chamada “Super Quarta”.
Jogos às 19h durante a semana e partidas aos domingos à noite deixam a nova grade.
Aos sábados, também não haverá partidas começando às 21h ou 21h30, com 19h30 estabelecido como limite para o início dos jogos.
A segunda divisão também terá uma organização específica.
O sábado será o principal dia da Série B, com três partidas às 18h funcionando como horário-âncora.
A proposta estabelece ainda quatro janelas exclusivas em relação à Série A, reduzindo a concorrência entre as duas competições.
Durante a semana, os jogos serão concentrados às 19h30 e 21h, entre terça e quinta-feira.
A intenção é facilitar a criação de hábitos para o torcedor e diminuir a fragmentação que marcou o calendário nos últimos anos.
As decisões podem alterar significativamente o planejamento dos clubes brasileiros nos próximos anos.
Equipes que utilizam grande quantidade de estrangeiros terão de adaptar gradualmente seus elencos. Ao mesmo tempo, a nova divisão das inscrições cria um incentivo para aumentar a presença de jogadores Sub-23.
A mudança não significa fechar as portas para atletas estrangeiros. Mesmo em 2030, cinco poderão continuar relacionados por partida.
O objetivo apresentado pela CBF é encontrar outro equilíbrio entre experiência, jogadores internacionais e desenvolvimento de jovens brasileiros.
O Brasileirão de 2030, portanto, poderá ter menos estrangeiros, mais espaço para jovens e até uma rotina diferente para quem acompanha os jogos.
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