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Canetas emagrecedoras no SUS podem ajudar a reduzir preços nas farmácias?
Compras públicas não determinam valores do varejo, mas produção em escala e maior concorrência podem ampliar a pressão por medicamentos mais baratos
23/09/2026 14h23
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A eventual oferta de canetas para tratamento da obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) não significa que os preços cairão automaticamente nas farmácias. O efeito, segundo especialistas do mercado, pode ocorrer de forma indireta, principalmente se as compras públicas ampliarem a escala de produção e estimularem a concorrência entre fabricantes.

O movimento acontece em um mercado que já passa por mudanças. O Ministério da Saúde informa que existem atualmente 14 produtos registrados nessa categoria e trabalha para ampliar a produção nacional. Em julho, por exemplo, a Anvisa autorizou cinco novos medicamentos à base de semaglutida.

A maior quantidade de opções pode aumentar a disputa entre laboratórios e contribuir para preços menores. Segundo o Ministério da Saúde, novos produtos chegaram ao mercado com valores até 70% inferiores aos praticados anteriormente.

Compra do SUS não define preço da farmácia

Uma eventual negociação do governo com os fabricantes ocorre em condições diferentes das vendas realizadas diretamente aos consumidores. Portanto, um desconto obtido pelo SUS não precisa ser reproduzido pelo varejo.

O impacto pode aparecer em outra etapa. Ao comprar grandes quantidades, o poder público pode proporcionar maior escala aos fabricantes. Com mais unidades produzidas, os custos podem ser diluídos e a disputa comercial entre os laboratórios pode aumentar.

Essa concorrência é apontada como um dos principais fatores capazes de influenciar os preços pagos pelo consumidor.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou recentemente que medicamentos dessa categoria que chegaram a custar entre R$ 1,7 mil e R$ 2 mil já podem ser encontrados, segundo ele, por valores entre R$ 300 e R$ 400. O ministro atribuiu parte dessa redução à ampliação da oferta no país.

Os preços efetivamente encontrados nas farmácias, entretanto, variam conforme medicamento, dosagem, fabricante e descontos comerciais. A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) estabelece os valores máximos permitidos para comercialização.

Produção nacional entra na estratégia

Outro componente dessa mudança é a fabricação dos medicamentos no Brasil.

O governo tem incentivado o registro e a produção nacional de medicamentos da classe GLP-1. Entre os produtos à base de semaglutida registrados recentemente, há opções produzidas no país. A estratégia busca ampliar a oferta, reduzir a dependência de importações e aumentar a competição no mercado.

A entrada de mais fabricantes pode ter impacto mais direto sobre os preços do que a própria compra pelo SUS.

Oferta ampla pelo SUS ainda está em avaliação

Apesar das discussões sobre preços, as canetas emagrecedoras ainda não são distribuídas de maneira ampla pelo SUS para tratamento da obesidade.

Em 2025, a Conitec recomendou não incorporar a semaglutida para um grupo específico de pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, a partir de 45 anos e com doença cardiovascular estabelecida. Entre os motivos apresentados estavam o elevado impacto orçamentário e incertezas relacionadas ao tratamento.

Agora, o governo voltou a avaliar formas de disponibilizar esse tipo de medicamento. Uma nova proposta comercial para o Wegovy também está em discussão, com oferta de desconto para eventual fornecimento ao sistema público.

Assim, uma futura entrada das canetas no SUS pode reforçar uma tendência de redução dos preços, mas não existe uma relação automática entre o valor negociado pelo governo e aquele cobrado do consumidor nas farmácias.