O presidente do Paraguai, Santiago Peña, defendeu nesta quarta-feira (23), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, a reintegração da Venezuela ao Mercosul. Suspenso do bloco, o país vive uma nova fase política sob o governo interino de Delcy Rodríguez, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos no início deste ano.
Ao abordar a situação venezuelana, Peña associou uma eventual retomada da participação no Mercosul a uma transição democrática e ao fortalecimento das instituições do país.
“Queremos uma transição com instituições fortes, segurança, uma economia próspera e uma nação novamente integrada à comunidade internacional e, especificamente, integrada ao Mercosul”, declarou o presidente paraguaio.
Antes de viajar a Nova York para a Assembleia Geral, Peña esteve em Caracas. A visita marcou uma retomada do diálogo entre Paraguai e Venezuela depois de um período de rompimento das relações diplomáticas.
A Venezuela continua formalmente como Estado Parte do Mercosul, mas está suspensa de todos os direitos e obrigações associados a essa condição. Atualmente, Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia aparecem como Estados Partes em atividade no bloco.
A suspensão política da Venezuela foi determinada em agosto de 2017 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com base no Protocolo de Ushuaia. Na ocasião, os países afirmaram ter constatado uma ruptura da ordem democrática venezuelana.
A decisão estabelece que a suspensão pode terminar quando for verificado o pleno restabelecimento da ordem democrática no país. Portanto, uma eventual retomada da participação venezuelana depende de decisão no âmbito do próprio Mercosul.
O movimento defendido por Peña na ONU já vinha sendo discutido nos últimos meses. O Paraguai consultou o governo brasileiro sobre a possibilidade de convidar representantes venezuelanos para a Cúpula do Mercosul realizada em junho, em Assunção. Segundo informações obtidas pela CNN Brasil, o governo brasileiro sinalizou favoravelmente à iniciativa.
A mudança ocorre depois da captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro de 2026, e da chegada de Delcy Rodríguez à Presidência interina da Venezuela.
Delcy viajou a Nova York nesta semana para representar o país na Assembleia Geral da ONU.
O governo venezuelano também solicitou uma reunião com representantes brasileiros durante a passagem das delegações por Nova York. O encontro com Lula, no entanto, não ocorreu antes de o presidente brasileiro deixar a cidade.
A manifestação de Peña coloca agora a eventual reintegração da Venezuela novamente na agenda regional. Qualquer mudança efetiva na situação do país dentro do Mercosul dependerá das negociações e decisões dos Estados que integram o bloco.