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Bets movimentam R$ 1 bilhão, mas são 7% da receita dos clubes
Patrocínios das casas de apostas cresceram 66% em um ano; Flamengo, Vasco e Sport aparecem entre os times mais expostos a esse dinheiro
23/09/2026 16h03
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

As casas de apostas colocaram cerca de R$ 1,03 bilhão em patrocínios nos clubes que disputavam a Série A do Campeonato Brasileiro em 2025. Apesar do valor bilionário, esse dinheiro correspondeu a 7,2% dos R$ 14,3 bilhões arrecadados pelas equipes no período, segundo levantamento da consultoria Convocados.

O dado ajuda a dimensionar o peso das bets no futebol em meio à discussão sobre possíveis restrições ao setor. Na semana passada, clubes divulgaram um manifesto alertando para os impactos financeiros de mudanças nas regras das apostas.

A participação das empresas cresceu rapidamente. Em 2024, elas haviam destinado aproximadamente R$ 618 milhões aos clubes. No ano seguinte, o montante avançou cerca de 66% e ultrapassou R$ 1 bilhão.

Venda de jogadores ainda rende mais

Mesmo impulsionadas pelos contratos com bets, as receitas comerciais não foram a principal fonte de dinheiro dos clubes da Série A.

Em 2025, essa categoria somou R$ 3,069 bilhões. A venda e transferência de jogadores movimentou R$ 3,915 bilhões, enquanto os direitos de transmissão renderam R$ 3,142 bilhões.

O Flamengo aparece com a maior exposição entre os exemplos analisados. O contrato com a Betano, estimado em R$ 268 milhões anuais, equivaleu a cerca de 13,6% da receita de R$ 1,973 bilhão registrada pelo clube em 2025.

No Vasco, o acordo de R$ 70 milhões com a Betfair representou aproximadamente 12,3% dos R$ 570 milhões arrecadados. Já o Sport tinha contrato de R$ 22 milhões com a Betnacional, equivalente a cerca de 12% de sua receita.

A discussão ganhou força depois que clubes e federações divulgaram, na quinta-feira (17), um manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”.

A possibilidade de novas restrições ocorre em meio ao debate político sobre os impactos sociais das apostas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido medidas mais duras contra o setor e afirmou na sexta-feira (18) estar decidido a combater as bets.

Também existem propostas em outras esferas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o Projeto de Lei 560/2025 pretende proibir publicidade de empresas de apostas esportivas e jogos de azar online em eventos esportivos no município. A proposta está na fase de discussão e votação na Câmara Municipal.

Impacto depende da velocidade da mudança

Para o economista Cesar Grafietti, sócio da Convocados, o principal risco para os clubes está em uma eventual interrupção repentina dos contratos, já que as equipes possuem compromissos financeiros de longo prazo.

“O futebol não acabará sem as bets, mas sofrerá numa situação de ruptura”, afirmou o economista.

Assim, embora os patrocínios das casas de apostas representem uma parcela minoritária da receita total da Série A, a retirada rápida de mais de R$ 1 bilhão do mercado poderia atingir de maneira diferente os clubes, especialmente aqueles em que esses contratos ocupam uma fatia maior do orçamento.