
A conquista da medalha de ouro brasileira nos Jogos Sul-Americanos Santa Fe 2026 foi acompanhada por um episódio grave fora das quadras. Evandro, atleta da Seleção Brasileira de vôlei de praia, foi alvo de manifestações racistas nas redes sociais antes da semifinal masculina disputada na Argentina.
Mesmo diante dos ataques, Evandro entrou em quadra ao lado de Arthur Lanci, venceu os argentinos Nicolás e Tomás Capogrosso por 2 sets a 1 e garantiu classificação para a decisão.
Na final, a dupla brasileira superou os venezuelanos Esyenser Delgado e Juliangel Vargas por 2 sets a 0, conquistando a medalha de ouro.
O resultado esportivo, porém, não apagou a gravidade do que aconteceu antes da partida.
O Comitê Olímpico do Brasil informou que acionou as autoridades argentinas.
Segundo o COB, antes da final a delegação brasileira já havia alertado o delegado das partidas sobre a possibilidade de novas ocorrências. A entidade também informou ter apresentado denúncia à Fiscalía, órgão do Ministério Público.
Em nota, o Comitê manifestou solidariedade ao atleta e reforçou sua posição contra qualquer forma de discriminação.
“Não há lugar para manifestações racistas, discriminatórias ou de qualquer natureza que atentem contra a dignidade de atletas.”
O COB também foi categórico ao afirmar que “racismo não é opinião” e que episódios dessa natureza devem ser enfrentados.
A Confederação Brasileira de Voleibol também repudiou os ataques sofridos pelo jogador e informou que adotará providências para que sejam tomadas as medidas cabíveis.
A entidade afirmou que nenhum atleta ou qualquer pessoa deve ser obrigado a conviver ou se acostumar com situações de racismo.
Para a CBV, o esporte deve funcionar como espaço de respeito, igualdade e dignidade.
O impacto dos ataques também foi relatado por Ana Gomes, esposa de Evandro.
Em vídeo publicado nas redes sociais, ela contou ter recebido registros das manifestações enquanto estava na faculdade e relatou o sofrimento ao acompanhar o que estava acontecendo.
Ao conversar com Evandro, porém, ouviu que o atleta estava bem.
A explicação para isso tornou a situação ainda mais dura.
Segundo Ana, Evandro estava bem porque já estaria acostumado a enfrentar episódios dessa natureza. Ela criticou justamente a normalização dessa realidade e reforçou que ninguém deveria precisar se acostumar com o racismo.
“Não existe estar acostumado. Isso é crime”, afirmou.
Dentro da competição, Evandro e Arthur responderam com duas vitórias.
Primeiro, superaram a dupla da casa em uma semifinal disputada em três sets.
Depois, derrotaram Delgado e Vargas em sets diretos para subir ao lugar mais alto do pódio.
A medalha representa uma conquista importante para o vôlei de praia brasileiro nos Jogos Sul-Americanos, mas o episódio envolvendo Evandro também coloca novamente em discussão o combate ao racismo dentro e ao redor do esporte.
As entidades brasileiras afirmam que o caso não ficará restrito a manifestações públicas de repúdio, com denúncias e pedidos de providências já encaminhados.
Evandro terminou a competição com uma medalha de ouro no peito. Os ataques sofridos antes dela, porém, exigem responsabilização e medidas concretas para que situações como essa não sejam normalizadas no ambiente esportivo.
O esporte precisa continuar ampliando os mecanismos de combate ao racismo. Acompanhe os principais acontecimentos no esporte em nosso portal de notícias e nas redes sociais da Lig Digital.