A terceira fase da Operação Carbono Oculto avançou nesta quinta-feira (24) sobre integrantes do mercado financeiro suspeitos de participar de uma estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao setor de combustíveis. Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, e Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos e delator nas investigações envolvendo o Banco Master.
Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e pela Receita Federal, com participação de outros órgãos públicos. São cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.
Também estão entre os alvos André e Bruno Tupinambá, irmãos de Humberto.
O Banco Genial informou que Humberto Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio deste ano, quando foi destituído. Ele havia ingressado no banco em agosto de 2022.
Segundo a investigação, Tupinambá é apurado por uma possível ligação, entre 2024 e 2025, com o esquema atribuído a Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Já Freixo firmou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) nas investigações relacionadas ao Banco Master. Beto Louco e Primo são apontados pelo Gaeco como líderes da organização investigada e teriam comandado a estrutura usada para assumir o controle da Terrana e ocultar patrimônio. Eles não são alvos das buscas desta fase.
A nova etapa busca esclarecer como estruturas financeiras e societárias teriam sido utilizadas para esconder a origem dos recursos e os verdadeiros controladores de ativos ligados ao grupo.
De acordo com a Receita Federal, uma primeira estrutura teria sido utilizada para ocultar os reais proprietários de uma usina sucroalcooleira no interior de São Paulo. Posteriormente, outras camadas financeiras e empresariais teriam sido criadas, chegando à operação para aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana.
O Gaeco sustenta que a compra da Terrana ocorreu por meio de fundos de investimento e empresas constituídas para estruturar a transação. Entre os fundos investigados estão Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings e Branson Holdings.
Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por diferentes empresas e contas antes de chegar à estrutura utilizada para a aquisição da distribuidora. Entre as companhias citadas na investigação estão Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi.
As suspeitas são baseadas em relatórios de inteligência financeira, documentos bancários, movimentações financeiras e mensagens obtidas em aparelhos apreendidos durante fases anteriores da investigação.
Segundo os investigadores, parte do material também apresenta indícios do uso de pessoas interpostas, os chamados “laranjas”, para dificultar a identificação dos controladores dos ativos. As suspeitas seguem sob investigação e a realização das buscas não representa, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos alvos.