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ONU Mulheres apresenta dez propostas para candidatos nas eleições
Documento divulgado na reta final da campanha reúne medidas sobre participação política, violência, renda, cuidados e justiça climática
24/09/2026 13h54 Atualizada há 3 horas
Por: Redação Fonte: Agência Brasil

A poucos dias das eleições, a ONU Mulheres apresentou uma agenda com dez propostas direcionadas a partidos, candidaturas e agentes públicos no Brasil. O documento reúne medidas que vão da ampliação da participação feminina nos espaços de poder ao enfrentamento da violência e das desigualdades no mercado de trabalho.

A iniciativa busca levar temas relacionados aos direitos das mulheres para os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral. Entre os principais eixos estão paridade política, violência de gênero e raça, políticas de cuidados, renda e participação feminina nas decisões relacionadas ao clima.

Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, Gallianne Palayret, as propostas assumidas durante a campanha precisam ser acompanhadas de instrumentos que permitam verificar posteriormente a execução.

“Palavras bonitas sobre mulheres já existem em quantidade suficiente no Brasil. O que esperamos é compromisso que caiba em três critérios: sua sugestão tem meta? Tem orçamento? Tem prazo?”, afirmou.

Participação política e combate à violência

Um dos primeiros pontos apresentados é a adoção da paridade entre homens e mulheres como meta, com prazos e objetivos numéricos para ampliar a presença feminina em cargos eletivos, funções de nomeação, lideranças do Legislativo e direções partidárias.

O documento também propõe reforçar o cumprimento das cotas eleitorais e a aplicação da Lei nº 14.192/2021, inclusive no ambiente digital. A legislação estabelece medidas para prevenir e combater a violência política contra mulheres e tipifica condutas destinadas a impedir ou dificultar o exercício de seus direitos políticos.

Outra proposta é estabelecer metas e orçamento específico para políticas de prevenção à violência contra mulheres, além de ampliar serviços especializados, medidas protetivas e mecanismos de investigação e resposta.

A ONU Mulheres também inclui o enfrentamento ao machismo entre as políticas sugeridas, defendendo ações permanentes de educação para igualdade, participação de homens e meninos e responsabilização de agentes públicos e empresas que reproduzam estereótipos.

Trabalho, renda e cuidados

Na área econômica, duas propostas concentram-se nas condições de trabalho das mulheres.

Uma delas trata especificamente das profissionais do setor de cuidados e propõe formação, contratação formal, remuneração adequada e proteção social.

Outra defende medidas para reduzir desigualdades no mercado de trabalho, com igualdade salarial, formalização e acesso à proteção social.

Mulheres nas decisões sobre o clima

Os três últimos pontos da agenda são relacionados às políticas ambientais e climáticas.

A ONU Mulheres propõe que recursos destinados ao enfrentamento das mudanças climáticas alcancem mulheres que atuam na proteção dos territórios.

O documento também defende participação paritária nas instâncias de governança climática, com atenção à presença de mulheres indígenas, negras, quilombolas e integrantes de povos e comunidades tradicionais.

Por fim, a organização sugere que gênero e raça sejam considerados na elaboração e implementação das políticas climáticas, de forma a identificar quais grupos são alcançados pelas medidas e quais permanecem fora delas.

As dez propostas apresentadas pela ONU Mulheres não são obrigações impostas às candidaturas. O documento funciona como uma agenda de recomendações da organização para estimular compromissos eleitorais e futuras políticas públicas.