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Lula diz que 'não cabe representação de miliciano' no Palácio do Planalto, em evento no Rio
Presidente não citou o adversário, mas declaração ocorre após revelação de que emenda de Flávio Bolsonaro foi negociada a pedido de condenado no caso Marielle
24/09/2026 17h18
Por: Redação
Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez nesta quinta-feira (24) uma indireta ao adversário na disputa pela Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao afirmar que “não cabe representação de miliciano” no Palácio do Planalto. Lula não mencionou o senador nominalmente durante a declaração, feita em um ato de campanha em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

“Da mesma forma que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, no Palácio do Planalto não cabe a representação de miliciano lá dentro. É importante ter claro o que está em jogo no dia 4 de outubro”, afirmou Lula.

A primeira parte da declaração retoma uma frase usada pelo presidente durante o discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (22), quando afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.

Já a referência a milicianos ocorre em meio à repercussão de informações sobre uma emenda parlamentar de R$ 199,9 mil destinada por Flávio Bolsonaro, em 2023, ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), para um projeto esportivo na Zona Oeste do Rio.

Emenda foi negociada com condenado no caso Marielle

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, negociou o pedido da verba com Maria de Fátima Bezerra Castro, então secretária parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro.

Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por integrar a organização criminosa envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Segundo a investigação, ele atuava como elo entre os executores e os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes do crime.

A Polícia Federal também apura possíveis irregularidades na aplicação dos recursos destinados ao instituto. A existência das mensagens e da emenda não significa, por si só, que Flávio Bolsonaro tenha participado de eventual desvio da verba.

A assessoria do senador afirma que “a emenda foi destinada dentro da legislação vigente” e sustenta que a execução dos recursos é de responsabilidade da entidade beneficiada.

Embora Lula não tenha citado Flávio durante a declaração em São Gonçalo, a fala ocorre no momento em que o episódio envolvendo a emenda passou a ser explorado pela campanha petista contra o adversário na reta final da disputa presidencial.