
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que teria realizado pagamentos mensais de R$ 3 milhões a um grupo que, segundo seu relato, seria ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA).
A informação foi publicada pelo UOL e confirmada pela CNN. A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Portanto, os relatos apresentados por Vorcaro na proposta não constituem, por si só, fatos comprovados ou conclusões das autoridades.
Segundo o documento, Vorcaro afirmou que não presenciou diretamente o suposto acerto dos pagamentos. Ele teria tomado conhecimento dos repasses por meio de seu ex-sócio Augusto Lima.
De acordo com o relato atribuído ao ex-banqueiro, os valores estariam relacionados à operação do Credcesta, cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos da Bahia, e à empresa PKL One. A proposta menciona:
R$ 2 milhões por meio de um contrato entre o Banco Master e a PKL One;
R$ 1 milhão em espécie, que seria destinado a aliados do senador;
distribuição de dividendos e lucros e contratos que Vorcaro classificou como fictícios;
contratos com pessoas indicadas por Wagner, incluindo um negócio envolvendo a filha do senador e uma empresa offshore.
Vorcaro também teria afirmado que Wagner possuía uma participação oculta na operação envolvendo o Credcesta e a PKL One.
O relato aponta ainda o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como suposto operador de Wagner. Até 31 de dezembro de 2018, Sodré detinha 22,45% de um fundo que possuía participação indireta na PKL One.
Uma passagem do documento afirma que “Augusto Lima informou ao colaborador que precisou corromper os políticos baianos para adquirir a operação do Credcesta”. Essa afirmação integra o relato apresentado por Vorcaro na tentativa de acordo de delação e não representa uma conclusão das autoridades sobre os fatos.
A relação entre Wagner e integrantes do Banco Master já havia sido mencionada em investigações da Operação Compliance Zero. Segundo informações da Polícia Federal citadas pela reportagem, os investigadores analisaram a evolução patrimonial do senador, além de pagamentos, repasses e possíveis atuações em temas de interesse do banco no Legislativo.
Entre os elementos investigados estaria a compra de um apartamento em Salvador em favor de Wagner.
Wagner deixou a liderança do governo Lula no Senado em junho deste ano, após ser alvo da operação.
A defesa de Jaques Wagner, assim como as de Daniel Vorcaro e Augusto Lima, foi procurada pela CNN e ainda não havia respondido até a publicação da reportagem. As defesas poderão apresentar suas versões sobre as acusações.