
A derrota por 1 a 0 para o Atlético-GO, na Serrinha, não encerrou as discussões quando a bola parou de rolar. Na coletiva após o clássico, o técnico Mozart falou sobre o momento vivido pelo Goiás, que tenta permanecer na disputa pelo acesso enquanto convive com atrasos salariais e cobranças internas.
Mais uma vez, os jogadores não concederam entrevistas após a partida. O silêncio do elenco já havia sido adotado como forma de protesto depois da vitória sobre o Avaí. Na ocasião, atletas divulgaram posteriormente uma carta aberta cobrando o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelo clube.
Desta vez, Mozart participou da coletiva e foi questionado sobre até que ponto os problemas financeiros podem afetar mentalmente jogadores que, ao mesmo tempo, precisam manter a concentração na reta final da Série B.
O treinador fez questão de destacar a postura do grupo.
“Esses caras têm sido extremamente profissionais, com todas as letras maiúsculas. Eles se dedicam, estão tentando.”
Mozart também afirmou que assume o papel de tentar manter o grupo acreditando na possibilidade de classificação.
“Eu sou um cara que fico esticando a corda para manter a chama acesa, para brigarmos ainda pela sexta colocação, que na minha opinião é muito possível.”
Segundo informações publicadas antes do clássico, o Goiás realizou parte dos pagamentos pendentes, mas ainda havia débitos com o elenco.
Ao abordar o momento institucional, o treinador usou experiências recentes em Mirassol e Coritiba para destacar a importância da sintonia entre os diferentes setores de um clube.
Mozart afirmou que, nesses trabalhos, havia uma conexão forte entre diretoria, comissão técnica e jogadores, algo que, em sua avaliação, contribuiu para os resultados alcançados. Para o treinador, o funcionamento de um clube depende de toda essa engrenagem, e não somente de quem está dentro de campo.
A declaração segue uma linha que Mozart já havia adotado antes do clássico, quando pediu mobilização geral e afirmou esperar que a diretoria fizesse sua parte para permitir que os jogadores concentrassem suas energias no futebol.
Apesar do ambiente turbulento, Mozart mantém publicamente a confiança na possibilidade de recuperação.
O treinador avaliou que o Atlético-GO foi superior no primeiro tempo do clássico, enquanto o Goiás conseguiu melhorar depois do intervalo. Para ele, a partida acabou definida em um episódio de bola parada.
Com 42 pontos, o Goiás terminou o clássico na 11ª colocação e segue tentando diminuir a distância para a zona de classificação aos playoffs. Mozart lembrou que ainda existem 24 pontos em disputa e afirmou que continuará acreditando enquanto houver possibilidade matemática.
Em uma reta final na qual cada ponto pode ser determinante, o desafio do Goiás passa, portanto, por duas frentes: buscar a recuperação dentro de campo e encontrar estabilidade fora dele.