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Lula ergue imagem de Nossa Senhora de Nazaré e entra em disputa sobre padroeira
Em comício no Pará, presidente disse que “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”; horas antes, Fux havia restabelecido retirada de posts sobre o tema
29/09/2026 16h08 Atualizada há 4 horas
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A controvérsia eleitoral envolvendo Nossa Senhora Aparecida chegou ao discurso do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante comício em Belém, na noite desta segunda-feira (28), Lula ergueu uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré e afirmou que, enquanto estiver na Presidência, “ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida”.

A imagem de Nossa Senhora de Nazaré, símbolo religioso de forte tradição no Pará, foi entregue ao presidente pelo ex-governador e candidato ao Senado Helder Barbalho (MDB). O gesto ocorreu durante o primeiro ato de campanha de Lula na Região Norte nesta eleição.

Em outro momento do discurso, Lula abordou diretamente a disputa sobre Nossa Senhora Aparecida e defendeu o respeito às diferentes religiões.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém. As pessoas precisam aprender a respeitar todas as religiões, inclusive as religiões de matriz africana. É preciso. Ninguém é dono da verdade”, declarou.

Lula também cita Lagoinha, Valadão e Vorcaro

Na sequência da mesma declaração, Lula atacou a Igreja Batista da Lagoinha e o pastor André Valadão, associando-os a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

“A única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha, daquele pastor chamado Valadão, que era sócio do Vorcaro”, afirmou.

A fala é uma declaração de Lula. Investigações sobre movimentações financeiras envolvendo integrantes ligados à igreja e pessoas relacionadas ao Banco Master vêm sendo noticiadas, mas eventuais responsabilidades individuais dependem das apurações e não podem ser presumidas a partir da declaração do candidato.

Polêmica sobre Aparecida chega ao STF

O discurso ocorreu no mesmo dia em que a disputa sobre publicações envolvendo a padroeira ganhou um novo capítulo no Supremo Tribunal Federal.

Nesta segunda-feira, o ministro Luiz Fux suspendeu uma decisão de Flávio Dino e restabeleceu, provisoriamente, uma ordem de André Mendonça, tomada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para remover publicações que relacionavam o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Flávio nega apoiar qualquer proposta nesse sentido e afirma que a informação é falsa. O projeto mencionado na controvérsia é antigo e foi arquivado na Câmara dos Deputados em 2008.

Dino havia permitido no domingo (27) que conteúdos retirados do ar por ordem de Mendonça fossem restabelecidos. Entre eles estava uma publicação do humorista Antonio Tabet. Para Dino, uma análise preliminar não permitia identificar elementos suficientes para justificar a restrição ao conteúdo.

Fux, por sua vez, determinou o retorno à situação anterior à decisão de Dino até que o plenário do Supremo examine a controvérsia. As plataformas devem cumprir novamente as determinações expedidas por Mendonça no âmbito do TSE.

“Faz sentido que este Supremo Tribunal Federal determine a veiculação de notícia comprovadamente falsa? Não!”, escreveu Fux ao justificar a suspensão. O ministro ressaltou, contudo, que sua decisão não resolve definitivamente a discussão sobre os limites entre liberdade de expressão e combate à desinformação.

Com a questão ainda sob análise judicial e a menos de uma semana do primeiro turno, a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida passou a integrar diretamente os discursos e embates da reta final da campanha presidencial.