
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) fez um apelo direto aos eleitores dos Estados Unidos para que rejeitem as políticas do presidente Donald Trump e promovam mudanças no governo norte-americano. A manifestação consta de uma carta aberta divulgada na terça-feira (29), a cerca de cinco semanas das eleições legislativas de meio de mandato.
O documento, de 25 páginas, é dirigido à população americana e concentra críticas na política externa dos Estados Unidos, especialmente no apoio a Israel e na participação em conflitos no Oriente Médio. A corporação sustenta que uma convivência pacífica com o Irã seria possível caso Washington mudasse essas políticas.
A carta também acusa Trump de mentir sobre as intenções do programa nuclear iraniano e de conduzir a política externa de acordo com interesses próprios. Essas afirmações representam a posição da Guarda Revolucionária e são contestadas pelo governo dos Estados Unidos.
O momento da divulgação colocou o documento diretamente no contexto eleitoral norte-americano. As eleições de meio de mandato estão marcadas para 3 de novembro e vão renovar a Câmara dos Representantes e parte do Senado. Atualmente, os republicanos controlam as duas Casas do Congresso.
O porta-voz da Guarda Revolucionária, general Hossein Mohebbi, reconheceu que não espera que a iniciativa altere a posição do governo Trump, mas afirmou acreditar que eleitores americanos poderiam tomar decisões diferentes caso tivessem outras informações sobre o conflito.
A corporação também pediu que americanos protestem contra as políticas de Trump. Em outro trecho, defendeu que os eleitores reconsiderem suas escolhas de representantes.
O movimento representa uma tentativa incomum de uma força militar estrangeira de se dirigir diretamente ao eleitorado americano durante uma campanha legislativa.
No documento, a Guarda Revolucionária afirma ainda que os Estados Unidos não conseguiram alcançar os principais objetivos declarados no conflito contra o Irã e apresenta Teerã como vencedor da guerra. Trata-se da versão defendida pela corporação iraniana.
Um dos principais pontos de disputa continua sendo o programa nuclear iraniano. Washington sustenta que impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã é um dos objetivos de sua política para o país. Teerã, por sua vez, afirma que suas atividades nucleares têm finalidade pacífica.
A tensão entre os países também envolve o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo. Mohebbi contestou declarações de que o Irã teria perdido influência sobre a passagem marítima. Dados da Kpler citados pela imprensa internacional indicam que o fluxo de petróleo pelo estreito se recuperou em setembro, mas permanecia em aproximadamente metade do nível anterior à guerra.
A carta surge enquanto negociações mediadas pelo Catar tentam encontrar uma saída para o conflito. Estados Unidos e Irã continuam divergindo sobre pontos como sanções, bloqueios e as condições para uma retomada plena do fluxo pelo Estreito de Ormuz.