A carne bovina brasileira enviada à China acima da cota estabelecida para 2026 passará a pagar uma tarifa adicional de 55% a partir desta quinta-feira (1º). A medida entra em vigor depois de o Brasil atingir 100% do volume anual permitido pelas regras de salvaguarda adotadas por Pequim.
O limite brasileiro é de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas. O Ministério do Comércio da China informou nesta quarta-feira (30) que o volume foi alcançado em 29 de setembro e confirmou a aplicação da sobretaxa a partir da zero hora de 1º de outubro.
A cobrança de 55% será acrescentada à tarifa regular de importação, de 12%. Com isso, as cargas brasileiras que ultrapassarem a cota ficam sujeitas a uma tributação total de 67% para entrar no mercado chinês.
A medida faz parte de um mecanismo de salvaguarda adotado pela China para limitar o crescimento das importações e proteger sua pecuária doméstica. O próprio Ministério do Comércio já havia informado, em julho, que o Brasil alcançara 80% da cota e, em agosto, 90%.
O governo brasileiro buscava uma alternativa para ampliar os embarques sem a cobrança adicional. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Uruguai havia concordado em disponibilizar ao Brasil parte de sua cota não utilizada.
A transferência, porém, depende da concordância de Pequim. Até agora, a China não autorizou que o volume reservado ao Uruguai seja utilizado pelas exportações brasileiras.
O impacto é relevante porque a China é o principal destino da carne bovina brasileira. A expectativa do setor agora se volta para as regras que Pequim adotará em 2027 e para a definição das cotas do próximo ano.
A entrada da tarifa adicional ocorre na mesma semana em que a China habilitou quatro novas unidades brasileiras para exportar carnes. Com as novas autorizações, o Brasil chegou a 150 frigoríficos habilitados para vender ao mercado chinês.
Na carne bovina, receberam autorização a Supremo Carnes, de Carlos Chagas (MG), e a Masterboi, de Canhotinho (PE). No segmento de aves, foram habilitadas a Avivar Alimentos, de São Sebastião do Oeste (MG), e a Cooperativa Dália Alimentos, de Arroio do Meio (RS).
Apesar da abertura de novas plantas, os embarques adicionais de carne bovina também ficam sujeitos às regras da cota. Assim, a ampliação do número de frigoríficos autorizados não elimina o impacto imediato da sobretaxa sobre volumes que excederem o limite brasileiro.