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Lula diz que Flávio “foi eleito pelo crime organizado”
Presidente fez acusações contra o adversário durante entrevista de campanha; candidato do PL nega ter ligação com milícias
01/10/2026 15h13
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da campanha presidencial. Em entrevista com influenciadores na quarta-feira (30), Lula afirmou que o adversário “não tem biografia” e alegou que ele teria chegado a cargos públicos com apoio do “crime organizado” e de milicianos. A acusação é contestada por Flávio.

A declaração foi feita enquanto Lula comentava o desempenho eleitoral do candidato do PL entre brasileiros com maior escolaridade. Pesquisas recentes mostram crescimento de Flávio nesse segmento, mas esses dados medem intenção de voto e não demonstram as razões individuais pelas quais os eleitores escolhem determinado candidato.

“Vamos pegar esse Flávio, qual é o compromisso com qualquer seriedade que esse cara tem? Nenhuma, ele não tem biografia. Ele nunca trabalhou na vida”, declarou Lula.

Na sequência, o presidente afirmou que Flávio “foi eleito vereador com 21 anos de idade já apoiado pelo crime organizado no Rio de Janeiro, pelos milicianos, e nunca mais parou”. Lula também questionou o que o adversário teria a oferecer aos eleitores.

As declarações são acusações políticas feitas por Lula durante a campanha e não estabelecem, por si só, que Flávio tenha sido eleito pelo crime organizado.

Relações com pessoas ligadas a milícias já foram alvo de questionamentos

As acusações sobre possíveis vínculos de Flávio com pessoas associadas a milícias do Rio de Janeiro antecedem a atual campanha presidencial.

Quando era deputado estadual, Flávio empregou no gabinete da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro parentes de Adriano da Nóbrega, apontado pelas autoridades como integrante do chamado Escritório do Crime e morto em 2020. Ele também concedeu homenagens a policiais posteriormente associados a investigações sobre milícias.

Flávio nega ligação com grupos milicianos. Sobre as homenagens, argumenta que os policiais contemplados eram considerados profissionais sem condenações que impedissem as condecorações naquele momento.

Emenda destinada a projeto indicado por Robson Calixto entrou no debate

Outro episódio retomado durante a campanha envolve uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 200 mil, destinada em 2023 a um projeto esportivo após tratativas envolvendo Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe.

Calixto foi condenado por participação no caso envolvendo os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram conversas entre Calixto e uma secretária parlamentar do gabinete de Flávio sobre a destinação do recurso. A PF encontrou indícios de possível desvio do dinheiro, segundo informações reveladas durante as investigações. A existência das conversas ou da emenda não demonstra, isoladamente, participação de Flávio em eventual desvio.

As acusações feitas por Lula contra o adversário ocorrem a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para domingo (4).