Dois pequenos satélites que passaram pelas mãos de cerca de 100 estudantes de escolas públicas brasileiras têm lançamento previsto para esta quinta-feira (1º). Os equipamentos serão levados ao espaço pela missão Transporter-18, da SpaceX, com decolagem programada a partir da Califórnia, nos Estados Unidos.
Os projetos EduSat-2 e EduSat-3 foram desenvolvidos dentro do programa AEB – Escola em Órbita, iniciativa da Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com a Ideia Space. A proposta é aproximar estudantes da rotina de uma missão espacial por meio de atividades práticas.
O EduSat-2 contou com 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba (SP). Outros 50 estudantes, do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza (CE), trabalharam no EduSat-3.
Antes de chegar aos equipamentos que serão enviados à órbita, os alunos aprenderam conceitos de programação, eletrônica e funcionamento de sensores utilizando modelos educacionais.
Na etapa seguinte, participaram da integração de componentes dos satélites, incluindo sistemas de energia, placas solares, computador de bordo, comunicação e controle de orientação.
Os componentes eletrônicos não foram soldados pelos estudantes. A montagem e integração das partes foram realizadas com acompanhamento técnico. Os grupos também participaram de testes elétricos, de comunicação e de abertura das antenas.
A experiência busca mostrar não apenas como um satélite funciona, mas também as etapas necessárias para desenvolver uma missão espacial a partir de um problema concreto.
Em Sorocaba, uma das ideias elaboradas pelos estudantes foi utilizar tecnologia espacial para auxiliar no acompanhamento de áreas sujeitas a alagamentos.
O EduSat-2, porém, não terá capacidade de fotografar enchentes ou solucionar diretamente esse tipo de ocorrência. Para colocar a proposta em prática, seriam necessários sensores instalados em solo, responsáveis pela coleta de informações ambientais, além de sistemas para transmissão e análise dos dados.
Os estudantes também discutiram aplicações em locais com acesso limitado à internet. Em um cenário futuro, sensores poderiam identificar situações de risco e utilizar a comunicação via satélite para ajudar a transmitir alertas às autoridades.
As propostas ainda dependem de desenvolvimento tecnológico e não representam funcionalidades que estarão disponíveis imediatamente após o lançamento.
Os dois satélites possuem arquitetura e componentes semelhantes, mas cada grupo trabalhou em propostas relacionadas à realidade de sua região.
A previsão é que os equipamentos sejam transportados pela Transporter-18, missão compartilhada que leva cargas de diferentes clientes ao espaço em um mesmo lançamento.
O lançamento está previsto para ocorrer a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9.
Depois que os satélites chegarem à órbita, os estudantes poderão acompanhar o funcionamento dos equipamentos e analisar informações disponibilizadas por uma plataforma de gerenciamento de missão.
O projeto também prevê novas turmas. A expectativa é oferecer formação em desenvolvimento de missões espaciais para mais 500 estudantes em Sorocaba e outros 500 em Fortaleza. Os cursos serão gratuitos para as escolas participantes.