Mundo Mundo
Satélites montados por estudantes brasileiros serão lançados pela SpaceX
Alunos de escolas públicas de São Paulo e Ceará participaram da preparação dos equipamentos e desenvolveram propostas para usar tecnologia espacial em problemas locais
01/10/2026 15h20
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Dois pequenos satélites que passaram pelas mãos de cerca de 100 estudantes de escolas públicas brasileiras têm lançamento previsto para esta quinta-feira (1º). Os equipamentos serão levados ao espaço pela missão Transporter-18, da SpaceX, com decolagem programada a partir da Califórnia, nos Estados Unidos.

Os projetos EduSat-2 e EduSat-3 foram desenvolvidos dentro do programa AEB – Escola em Órbita, iniciativa da Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com a Ideia Space. A proposta é aproximar estudantes da rotina de uma missão espacial por meio de atividades práticas.

O EduSat-2 contou com 50 alunos da Escola Municipal Dr. Getúlio Vargas, em Sorocaba (SP). Outros 50 estudantes, do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Escola Professor Paulo Ayrton de Araújo, em Fortaleza (CE), trabalharam no EduSat-3.

Estudantes participaram da preparação dos satélites

Antes de chegar aos equipamentos que serão enviados à órbita, os alunos aprenderam conceitos de programação, eletrônica e funcionamento de sensores utilizando modelos educacionais.

Na etapa seguinte, participaram da integração de componentes dos satélites, incluindo sistemas de energia, placas solares, computador de bordo, comunicação e controle de orientação.

Os componentes eletrônicos não foram soldados pelos estudantes. A montagem e integração das partes foram realizadas com acompanhamento técnico. Os grupos também participaram de testes elétricos, de comunicação e de abertura das antenas.

A experiência busca mostrar não apenas como um satélite funciona, mas também as etapas necessárias para desenvolver uma missão espacial a partir de um problema concreto.

Problemas das cidades viraram propostas de missão

Em Sorocaba, uma das ideias elaboradas pelos estudantes foi utilizar tecnologia espacial para auxiliar no acompanhamento de áreas sujeitas a alagamentos.

O EduSat-2, porém, não terá capacidade de fotografar enchentes ou solucionar diretamente esse tipo de ocorrência. Para colocar a proposta em prática, seriam necessários sensores instalados em solo, responsáveis pela coleta de informações ambientais, além de sistemas para transmissão e análise dos dados.

Os estudantes também discutiram aplicações em locais com acesso limitado à internet. Em um cenário futuro, sensores poderiam identificar situações de risco e utilizar a comunicação via satélite para ajudar a transmitir alertas às autoridades.

As propostas ainda dependem de desenvolvimento tecnológico e não representam funcionalidades que estarão disponíveis imediatamente após o lançamento.

Alunos poderão acompanhar equipamentos no espaço

Os dois satélites possuem arquitetura e componentes semelhantes, mas cada grupo trabalhou em propostas relacionadas à realidade de sua região.

A previsão é que os equipamentos sejam transportados pela Transporter-18, missão compartilhada que leva cargas de diferentes clientes ao espaço em um mesmo lançamento.

O lançamento está previsto para ocorrer a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9.

Depois que os satélites chegarem à órbita, os estudantes poderão acompanhar o funcionamento dos equipamentos e analisar informações disponibilizadas por uma plataforma de gerenciamento de missão.

O projeto também prevê novas turmas. A expectativa é oferecer formação em desenvolvimento de missões espaciais para mais 500 estudantes em Sorocaba e outros 500 em Fortaleza. Os cursos serão gratuitos para as escolas participantes.