O último debate entre os candidatos à Presidência antes do primeiro turno das eleições será realizado nesta quinta-feira (1º), a três dias da votação. O encontro da TV Globo começa às 21h30, após o Jornal Nacional, e terá quatro presidenciáveis no palco: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado, mas decidiu não participar. A emissora manterá vazio o espaço reservado ao petista. Já Renan Santos (Missão) tentou garantir judicialmente sua inclusão no encontro, mas teve pedidos negados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
O debate será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, com mediação do jornalista César Tralli. A transmissão será feita pela TV Globo e simultaneamente pela GloboNews e pelo g1.
O programa será dividido em quatro blocos, alternando confrontos com temas determinados e assuntos de livre escolha. Os candidatos poderão fazer perguntas diretamente uns aos outros, além de apresentar considerações finais.
A presença de Romeu Zema foi garantida após uma decisão do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques. A Globo havia utilizado como referência inicial partidos que elegeram ao menos cinco parlamentares em 2022. O TSE determinou, no caso do Novo, que fosse considerada a composição atual da bancada da legenda.
O encontro será o último confronto televisivo entre presidenciáveis antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A campanha de Lula comunicou oficialmente à Globo na quarta-feira (30) que o presidente não compareceria. Segundo apuração da CNN, a decisão dividiu integrantes da campanha e foi tomada pelo próprio candidato após ouvir argumentos favoráveis e contrários à participação.
Entre os argumentos favoráveis à ausência está a avaliação de que Lula se tornaria o principal alvo dos outros quatro candidatos, todos posicionados à direita ou centro-direita no espectro político. O presidente também vinha criticando o modelo dos debates eleitorais brasileiros e considerando o formato pouco produtivo.
Outro fator considerado pela campanha, segundo apuração da CNN, foi o risco de falas do presidente durante o debate serem transformadas em cortes de forte repercussão nas redes sociais nos últimos dias antes da votação.
A decisão, porém, não foi consensual. Interlocutores defenderam que Lula aproveitasse a audiência da TV aberta para falar com eleitores ainda indecisos. Também há preocupação de que o púlpito vazio seja explorado pelos adversários, que poderão criticá-lo durante o programa sem que ele esteja presente para responder.
Em vez de ir à Globo, Lula confirmou participação no Flow Podcast, em entrevista ao vivo prevista para começar às 20h45, 45 minutos antes do início do debate. A transmissão ocorrerá pela internet e poderá avançar pelo mesmo período em que os adversários estiverem na televisão.
Com a escolha, Lula terá um espaço de entrevista sem confronto direto com os demais presidenciáveis. O petista encerra, assim, o primeiro turno sem participar dos debates entre candidatos realizados durante a campanha.
Antes de Lula confirmar a ausência, Flávio Bolsonaro desafiou publicamente o presidente a participar do debate. Em passagem por Goiânia no domingo (27), o candidato do PL anunciou que estaria no encontro e chamou o adversário para o confronto.
Após Lula comunicar que não iria, Flávio manteve a participação. A campanha chegou a avaliar a conveniência de comparecer sem o principal adversário, mas decidiu seguir com a presença confirmada. Segundo a CNN, a preparação inclui temas de segurança pública e economia, além de respostas para assuntos que podem ser levantados pelos outros candidatos.
Será também a primeira participação de Flávio em um debate presidencial nesta campanha. Lula e o candidato do PL haviam ficado fora dos confrontos anteriores do primeiro turno.
A composição do palco também provocou uma disputa judicial. Renan Santos, candidato do Missão, tentou obrigar a Globo a incluí-lo no debate depois de ficar fora da lista de participantes.
O partido argumentou que Renan deveria participar em igualdade de condições e questionou o fato de Romeu Zema ter sido incluído. Primeiro, a campanha acionou o TSE, mas não conseguiu decisão que garantisse a participação. Depois, o Missão levou o caso ao STF, por meio de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF).
Na quarta-feira (30), a ministra Cármen Lúcia rejeitou o pedido e determinou o arquivamento da ação. Ela entendeu que uma ADPF, instrumento de controle abstrato de constitucionalidade, não poderia ser utilizada para obrigar a realização de um ato específico em benefício de um candidato. Também destacou que questões eleitorais devem ser discutidas na Justiça Eleitoral.
Renan reagiu nesta quinta-feira dizendo que ainda avaliaria novas medidas para tentar participar e convocou apoiadores para uma manifestação diante da sede da Globo no Rio de Janeiro. Até a última atualização, porém, ele permanecia fora do debate.
Com Lula ausente e Renan fora, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema terão o último confronto televisionado antes de os eleitores irem às urnas no domingo.