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ONU pede para não executar novamente mulher com injeção letal
Christa Pike permaneceu viva após receber duas doses de pentobarbital; estado suspendeu execuções e abriu investigação sobre o procedimento
02/10/2026 19h14 Atualizada há 13 horas
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que o estado do Tennessee, nos Estados Unidos, não faça uma nova tentativa de executar Christa Pike, de 50 anos. Condenada à morte por um assassinato cometido em 1995, ela sobreviveu à aplicação de duas doses de pentobarbital durante o procedimento realizado na quarta-feira (30) e precisou ser levada a um hospital.

O apelo foi feito na quinta-feira (1º) pelo alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. A manifestação ocorreu enquanto autoridades estaduais investigam por que a injeção letal não provocou a morte da condenada.

Segundo advogados de Pike e jornalistas que acompanharam a execução como testemunhas, ela permaneceu respirando depois das duas aplicações do medicamento. Os relatos indicam ainda que a mulher chegou a roncar de forma audível e permaneceu viva por mais de uma hora após o início do procedimento.

Diante da situação, uma ambulância retirou Pike da prisão e a levou para atendimento médico.

Tennessee suspende execuções

Após o procedimento malsucedido, o governador Bill Lee determinou a suspensão das execuções previstas no Tennessee até o fim de 2026 e anunciou uma investigação independente.

O Departamento de Correção do estado sustenta que os protocolos estabelecidos para a execução foram cumpridos. A apuração deverá esclarecer o que ocorreu durante a administração do pentobarbital e por que o procedimento não resultou na morte da condenada.

O caso foi o segundo problema registrado durante uma execução no Tennessee neste ano. Em maio, outro procedimento precisou ser interrompido depois que a equipe responsável não conseguiu encontrar uma veia adequada para aplicar a substância.

Por que Christa Pike foi condenada

Pike está no corredor da morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, cometido em 1995. Ela tinha 18 anos na época do crime e foi condenada à pena capital no ano seguinte.

Caso a execução tivesse sido concluída, Pike se tornaria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos.

Antes do procedimento, a defesa tentou impedir o cumprimento da sentença. Um tribunal federal chegou a suspender temporariamente a execução enquanto analisava um recurso, mas a Suprema Corte dos Estados Unidos posteriormente autorizou que ela fosse realizada.

Os advogados também argumentaram que Pike sofreu abusos sexuais durante a infância e defenderam que esse histórico deveria ser considerado. O estado reconheceu anteriormente a ocorrência dos abusos, mas manteve a execução.

ONU pede comutação da pena

Ao se manifestar sobre o caso, Volker Türk citou o sofrimento provocado por tentativas malsucedidas de execução e voltou a defender a posição da ONU contrária à pena de morte.

Nove especialistas independentes em direitos humanos também aderiram ao apelo para que a sentença de Pike seja comutada, substituindo a pena de morte por outra punição.

Enquanto a investigação estadual estiver em andamento, as execuções permanecem suspensas no Tennessee. O caso de Pike também mantém aberta uma nova disputa jurídica sobre a possibilidade de o estado tentar executar novamente a condenada após o procedimento malsucedido.