Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começaram nesta segunda-feira (5) as articulações para o segundo turno da eleição presidencial. Um dia depois da votação, os dois candidatos reúnem aliados para definir estratégias, ampliar apoios e disputar os eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno.
Com a apuração concluída, Flávio terminou na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos. A nova votação será realizada em 25 de outubro.
Flávio iniciou o dia com reuniões com integrantes da própria campanha. Entre os participantes estavam o candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, o coordenador Rogério Marinho e integrantes da equipe econômica.
No fim desta segunda, o candidato do PL deve se encontrar em Brasília com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno com 62,65% dos votos válidos. A expectativa da campanha é ampliar a participação de Tarcísio na disputa presidencial durante as próximas três semanas.
A campanha de Flávio também começa a buscar aproximação com partidos e lideranças que não participaram formalmente de sua coligação no primeiro turno. A federação União Brasil-PP sinalizou preferência pelo candidato do PL, embora a posição ainda envolva discussões internas.
Lula também marcou reuniões nesta segunda-feira para avaliar o resultado e preparar a estratégia para a etapa decisiva da eleição.
O presidente acompanhou a apuração em São Paulo e retorna a Brasília para as discussões com integrantes da campanha e aliados. A tentativa agora é ampliar o eleitorado depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio.
Além das articulações partidárias, a campanha de Lula pretende direcionar atenção aos eleitores que não compareceram no domingo. Após a apuração, o presidente afirmou que pretende fazer um apelo para aumentar a participação no segundo turno.
A abstenção aparece como um dos principais números deixados pelo primeiro turno. Mais de 33,4 milhões de brasileiros não compareceram às urnas, o equivalente a 21,08% do eleitorado apto. Foi o maior percentual registrado em uma eleição presidencial desde 1998.
O número de ausentes é cerca de 14 vezes superior à diferença de votos registrada entre Flávio e Lula. Quem não compareceu no primeiro turno poderá votar normalmente no segundo, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
Outro grupo que passa a ser disputado pelos dois candidatos é formado pelos eleitores dos dez concorrentes que ficaram fora do segundo turno. Juntos, eles receberam aproximadamente 9 milhões de votos.
O resultado também mostrou diferenças regionais importantes. Flávio terminou à frente em todos os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Lula venceu nos nove estados do Nordeste.
Com apenas dois candidatos na disputa, as campanhas entram agora em uma nova fase. Flávio e Lula terão três semanas para buscar apoios, conquistar novos eleitores e tentar reduzir a abstenção antes da votação de 25 de outubro.