O Ibovespa disparou nesta segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das eleições presidenciais, e ultrapassou pela primeira vez os 209 mil pontos. Na máxima do dia, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a 209.605 pontos, com valorização de cerca de 9,1%.
A movimentação ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a apuração concluída, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado eleitoral provocou uma forte reavaliação dos ativos brasileiros. Investidores passaram a precificar com maior intensidade a possibilidade de mudança na condução econômica a partir de 2027, especialmente em relação às contas públicas. Analistas, porém, destacam que a continuidade do movimento dependerá das propostas apresentadas durante o segundo turno e da política econômica que efetivamente será adotada pelo vencedor.
O Ibovespa já havia encerrado a sexta-feira (2), último pregão antes da eleição, próximo dos 192,1 mil pontos. Nesta segunda, rompeu pela primeira vez a barreira dos 200 mil e avançou rapidamente até a região dos 209 mil pontos.
Bancos, varejistas, construtoras e empresas ligadas ao mercado doméstico estiveram entre os principais destaques positivos do pregão. Papéis de companhias como Banco do Brasil, Bradesco e Magazine Luiza registraram altas de dois dígitos durante o dia.
O movimento não foi uniforme. Empresas exportadoras, entre elas Vale, Suzano e Embraer, chegaram a recuar diante da forte valorização do real, que pode reduzir receitas obtidas no exterior quando convertidas para a moeda brasileira.
A reação também atingiu o mercado de câmbio. O dólar comercial caiu mais de 4% e ficou abaixo dos R$ 5 durante o pregão. A moeda havia encerrado a sexta-feira na faixa de R$ 5,22.
Os juros futuros também recuaram. O conjunto dos movimentos indica redução do prêmio de risco exigido pelos investidores após o resultado das urnas, embora o cenário permaneça sujeito às mudanças de expectativa ao longo das próximas três semanas de campanha.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o mercado deve acompanhar principalmente as propostas econômicas de Flávio e Lula, as alianças políticas formadas pelas duas campanhas e as sinalizações sobre a condução fiscal do país a partir de 2027.