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Entenda como funciona a votação de brasileiros no exterior
Mais de 916 mil eleitores estavam aptos a votar fora do país; por causa dos fusos horários, primeiras urnas foram abertas ainda no sábado
05/10/2026 19h00
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Enquanto os brasileiros começavam a votar às 8h deste domingo (4), pelo horário de Brasília, parte dos eleitores que vivem no exterior já havia encerrado a participação no primeiro turno das Eleições 2026. Isso acontece porque a votação fora do país segue o horário local de cada cidade e pode começar antes devido às diferenças de fuso horário.

Neste ano, 916.534 brasileiros estavam aptos a votar no exterior. Para participar da eleição fora do Brasil, o eleitor precisa ter transferido o domicílio eleitoral para outro país.

Quem está registrado na chamada Zona Eleitoral do Exterior (ZZ) participa apenas da eleição para presidente e vice-presidente da República. Esses eleitores não votam para governador, senador, deputado federal ou deputado estadual.

Por que a votação começa antes no exterior?

As seções eleitorais instaladas em outros países seguem os horários locais. Por isso, enquanto ainda era sábado (3) no Brasil, o domingo (4) já havia começado em algumas regiões do mundo.

A Nova Zelândia foi o primeiro país a iniciar a votação. Com o avanço dos fusos horários, outras seções foram abertas sucessivamente na Oceania, Ásia, Europa, África e Américas. Os últimos eleitores a votar estavam no Canadá.

Apesar das diferenças de horário, o processo utiliza urnas eletrônicas e integra a mesma eleição presidencial realizada no território brasileiro.

Quem organiza a eleição fora do Brasil?

A votação dos brasileiros que moram em outros países é centralizada pela Zona Eleitoral do Exterior, identificada pela sigla ZZ e vinculada ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).

Essa estrutura é responsável pelo cadastro eleitoral no exterior e por procedimentos como alistamento, transferência de domicílio eleitoral, atualização de dados e justificativas.

A preparação das urnas e a logística da eleição são realizadas em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores, por meio da rede de representações diplomáticas brasileiras.

Em 2026, foram organizadas 1.351 seções eleitorais no exterior.

Lula venceu entre brasileiros que votaram no exterior

Concluída a apuração das urnas fora do país, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou na primeira colocação, com 47,57% dos votos válidos, equivalentes a 157.387 votos.

Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo, com 43,49%, ou cerca de 143,9 mil votos.

Na sequência apareceram Augusto Cury (Avante), com 2,94%; Renan Santos (Missão), com 2,59%; Ronaldo Caiado (PSD), com 1,42%; e Romeu Zema (Novo), com 1,01%. Os demais candidatos ficaram abaixo de 1% entre os eleitores no exterior.

O resultado fora do Brasil foi diferente da votação nacional. No país, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%.

Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos nacionalmente, Flávio e Lula voltam a disputar a Presidência no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Os brasileiros com domicílio eleitoral no exterior também poderão participar da nova votação.