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Lula e Flávio intensificam busca por apoios para o segundo turno
Petista discute ampliar presença de Alckmin e fazer acenos ao centro; candidato do PL avança em negociações com partidos e antigos adversários
06/10/2026 14h51
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) intensificaram as articulações políticas depois do primeiro turno e já trabalham para ampliar suas bases na disputa decisiva pela Presidência. Enquanto aliados de Lula defendem maior participação do vice Geraldo Alckmin (PSB), Flávio busca transformar a vantagem conquistada nas urnas em novos apoios de partidos e lideranças políticas.

Do lado governista, a avaliação interna é de que Alckmin pode ser melhor aproveitado na campanha por ter um perfil mais próximo do centro e capacidade de dialogar com setores que apresentam resistência ao PT.

Aliados também discutem aumentar a presença do vice no horário eleitoral e em compromissos públicos. Alckmin deve participar, no próximo dia 12, de atividades em Aparecida (SP).

Alckmin ganha espaço também na discussão econômica

O papel de Alckmin não está sendo discutido apenas na estratégia eleitoral. Seu nome passou a ser considerado para assumir o Ministério da Fazenda em um eventual quarto mandato de Lula.

A possibilidade ainda não está definida e dependeria de uma decisão entre o presidente e o vice. A movimentação é vista por integrantes da campanha como uma forma de ampliar a interlocução com o mercado financeiro e reforçar um discurso de responsabilidade fiscal.

O debate ganhou força depois da reação dos mercados ao resultado do primeiro turno. Ativos brasileiros avançaram após o desempenho de Flávio nas urnas, enquanto o dólar chegou a cair para menos de R$ 5.

Fernando Haddad, que deixou a Fazenda para disputar o governo de São Paulo, não teria interesse em retornar ao comando do ministério. Entre aliados de Lula, o nome dele também é mencionado para uma eventual passagem pela Casa Civil.

Flávio busca ampliar alianças partidárias

Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro concentra esforços na conquista de apoios de partidos e lideranças que não estiveram formalmente com ele no primeiro turno.

Um dos principais movimentos ocorre na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As duas legendas se reúnem nesta terça-feira (6), em Brasília, para definir a posição no segundo turno.

A tendência é de apoio a Flávio. A federação adotou neutralidade no primeiro turno e permitiu que seus integrantes seguissem diferentes alianças nos estados.

Caso a decisão seja confirmada, um ato com a participação de Flávio está previsto para quarta-feira (7), na sede do União Brasil, em Brasília.

O presidente do PP, Ciro Nogueira, já defendeu publicamente a adesão à candidatura do PL. No União Brasil, o presidente da legenda, Antônio Rueda, também atua pela aproximação. Como as duas siglas integram uma federação, precisam adotar uma posição conjunta na eleição presidencial.

Apesar da tendência nacional, existem resistências internas, especialmente entre lideranças que mantêm proximidade com Lula.

Caiado e outros partidos entram nas articulações

Flávio também trabalha para atrair antigos adversários do primeiro turno. Ronaldo Caiado (PSD), que disputou a Presidência e terminou em quinto lugar, deve formalizar apoio ao candidato do PL nesta terça-feira (6), durante evento em Goiânia.

A campanha de Flávio ainda busca aproximação com o Republicanos, partido do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

As movimentações mostram que a primeira semana do segundo turno será marcada pela tentativa dos dois candidatos de ampliar seus campos políticos para além dos eleitores conquistados no domingo.

Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro, quando será definido o próximo presidente da República.