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Protestos estudantis levam 250 mil às ruas na França
Mobilização por melhorias nas escolas se espalhou pelo país; confrontos já deixaram centenas de policiais e adolescentes feridos
06/10/2026 20h15
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

Mais de 250 mil pessoas participaram nesta terça-feira (6) de uma nova onda de protestos estudantis na França, no maior dia de mobilização desde o início do movimento, em setembro. Em meio a confrontos e atos de vandalismo, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu condenou a violência e afirmou que o governo vai analisar as principais reivindicações apresentadas pelos estudantes.

Segundo autoridades francesas, cerca de 256 mil manifestantes foram às ruas nesta terça. A União dos Estudantes do Ensino Médio informou ainda que aproximadamente 1,8 mil escolas estavam bloqueadas ou deveriam suspender atividades durante o dia.

Os atos começaram de forma pacífica em cidades como Marselha, Nantes e Lyon. Em outros pontos, incluindo Estrasburgo, Lyon e Rennes, houve confrontos. A polícia utilizou gás lacrimogêneo, enquanto grupos de manifestantes incendiaram objetos nas ruas e lançaram projéteis.

Paris também concentrava uma das principais manifestações previstas para esta terça.

Primeiro-ministro condena violência

Durante discurso no Parlamento, Lecornu afirmou que as reivindicações não justificam episódios de violência registrados nas últimas semanas.

“Incendiar uma escola secundária não melhora o estado dos edifícios escolares. Linchar um professor não ajuda a substituir professores”, declarou.

O primeiro-ministro também rejeitou a acusação de que o governo francês teria determinado uma política de repressão policial contra os estudantes.

Apesar das críticas aos episódios violentos, Lecornu determinou que ministros analisem as demandas do movimento e apresentem propostas até o fim de outubro.

Entre as reivindicações estão a recuperação de prédios escolares antigos, a substituição de professores ausentes, a revisão de jornadas escolares que podem se estender das 8h às 18h e a ampliação dos intervalos para almoço.

Confrontos deixam centenas de feridos

Os protestos começaram há cerca de duas semanas nos arredores de Paris e ganharam força em diferentes regiões da França.

Os estudantes reclamam principalmente da duração das jornadas escolares, das condições de infraestrutura das unidades de ensino e da falta de professores.

Com a expansão das manifestações, também aumentaram os confrontos. De acordo com o gabinete do primeiro-ministro, pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos desde o início da mobilização.

O Ministério do Interior contabiliza ainda 6,1 mil prisões, a maioria envolvendo menores de idade. Mais de 1,8 mil pessoas estão sendo processadas, incluindo 1.483 menores, segundo dados do Ministério da Justiça.

Na segunda-feira (5), um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos após a explosão de uma granada de efeito moral em Lens, no norte do país. Segundo informações atribuídas a uma fonte ligada ao sindicato policial, o jovem teria recolhido o artefato lançado pela polícia e tentado arremessá-lo de volta.

Protestos aumentam pressão sobre Macron

A dimensão das manifestações também ampliou a pressão política sobre o governo do presidente Emmanuel Macron.

Macron reconheceu publicamente a legitimidade das reivindicações relacionadas às condições das escolas, mas condenou os episódios de violência.

O governo agora tenta responder às demandas dos estudantes enquanto enfrenta novos atos e confrontos em diferentes cidades francesas.