
ONU aponta aumento dos deslocamentos desde setembro, enquanto ataques a aeroportos e disputas por áreas estratégicas intensificam o conflito
Mais de 200 mil pessoas tiveram que deixar suas casas no Iêmen desde o início de setembro, após a intensificação dos confrontos entre os rebeldes houthis, apoiados pelo Irã, e as forças do governo, que recebem apoio da Arábia Saudita. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (7) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência das Nações Unidas.
A nova escalada de violência atinge principalmente regiões estratégicas do país, onde os dois lados disputam o controle de cidades, estradas e rotas marítimas. Além dos confrontos terrestres, ataques com mísseis e drones têm colocado em risco aeroportos e outras estruturas essenciais.
Segundo o Ministério dos Transportes do Iêmen, os houthis lançaram mísseis balísticos e drones carregados de explosivos contra o Aeroporto Internacional de Áden nesta quarta-feira.
Um dos mísseis caiu nas proximidades da pista de pouso pouco antes da chegada de um avião que havia partido do Cairo, no Egito. Por segurança, a aeronave precisou ser desviada para Jeddah, na Arábia Saudita.
O aeroporto de Áden é uma das principais portas de entrada internacionais para as áreas do território iemenita que permanecem fora do controle dos rebeldes.
Nos últimos dias, os combates se concentraram nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden.
A região ganhou ainda mais importância para o transporte internacional de petróleo após o bloqueio do Estreito de Ormuz, provocado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos.
As forças governamentais tentam avançar pelas áreas montanhosas do distrito de Dhubab e recuperar a cidade de Mocha, tomada pelos houthis em setembro.
O controle dessas posições permitiria ampliar o avanço militar ao longo da costa iemenita, considerada estratégica para o comércio marítimo internacional.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita informou que interceptou e destruiu um míssil balístico lançado pelos houthis ao norte de Riade, capital saudita, nesta quarta-feira.
Segundo as autoridades, equipes militares trabalham para localizar e destruir a plataforma utilizada no lançamento. A estrutura estaria em Sanaa, capital do Iêmen, controlada pelos rebeldes desde 2014.
O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, também afirmou que o grupo realizou um ataque com drones contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade. Até a divulgação das informações, as autoridades sauditas não haviam confirmado essa ofensiva.
A intensificação dos confrontos amplia a crise humanitária no Iêmen. Com milhares de famílias obrigadas a abandonar suas casas, cresce a necessidade de abrigo, alimentos, água potável e assistência médica nas regiões afetadas pela guerra.