
A NASA divulgou nesta terça-feira (6) novas imagens da superfície de Marte registradas pelo robô explorador Curiosity. As fotografias mostram uma paisagem de formações rochosas esculpidas pelo vento, iluminadas pela luz das primeiras horas da manhã marciana. O registro foi realizado em 11 de agosto, na região do Monte Sharp.
As imagens foram captadas às 8h30, no horário local de Marte, pela câmera Mastcam, instalada no rover. Ao todo, seis fotografias foram combinadas para formar um panorama detalhado do terreno.
Desta vez, a agência espacial optou por não aplicar o ajuste habitual de equilíbrio de branco. A decisão preservou as tonalidades observadas durante o amanhecer, incluindo os tons azulados que aparecem em primeiro plano.
O principal destaque das imagens são os chamados yardangs, estruturas rochosas alongadas que surgem a partir do desgaste provocado pela ação contínua dos ventos.
Essas formações se estendem por aproximadamente 16 quilômetros na região noroeste do Monte Sharp, uma montanha de cerca de cinco quilômetros de altura explorada pelo Curiosity desde 2014.
O robô, que chegou a Marte em 2012, tem como uma de suas principais missões investigar se o planeta já apresentou condições adequadas para a existência de vida microbiana.
Recentemente, o Curiosity também alcançou a marca de um quilômetro de altitude durante sua subida pelo Monte Sharp, estabelecendo um novo recorde de elevação para um veículo explorador em Marte.
As diferentes camadas de rochas do Monte Sharp funcionam como registros da história geológica do planeta. A análise desses materiais já permitiu aos cientistas encontrar evidências de que a região abrigou lagos e cursos de água bilhões de anos atrás.
Com as mudanças climáticas ao longo do tempo, a água desapareceu e deixou depósitos de minerais na superfície. Posteriormente, a ação dos ventos desgastou parte das camadas rochosas, contribuindo para a formação das estruturas observadas atualmente.
Apesar dessas descobertas, a origem exata dos yardangs ainda é investigada. Uma das hipóteses é que parte do material tenha se formado a partir de cinzas liberadas durante antigas erupções vulcânicas.
Segundo Ashwin Vasavada, cientista responsável pelo projeto Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), essa incerteza torna a exploração ainda mais importante.
“É isso que torna a sua exploração emocionante. Ninguém sabe ao certo o que criou essa camada”, afirmou.
O Curiosity está atualmente no segundo ano de sua quinta missão estendida. Nos próximos meses, o veículo deverá atravessar regiões com camadas enriquecidas por sulfatos e carbonatos, minerais que podem fornecer informações sobre os períodos em que a superfície marciana passou por processos de secamento.
A previsão da equipe é que o robô alcance a base dos yardangs em algum momento de 2027.
Quando chegar ao local, o Curiosity poderá utilizar seu braço robótico para examinar as formações de perto e coletar dados sobre sua composição.
As próximas análises devem ajudar os pesquisadores a compreender como essas estruturas surgiram e o que elas revelam sobre as transformações ambientais de Marte ao longo de bilhões de anos.