
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, se reuniu na terça-feira (6) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro não constava nas agendas oficiais dos dois e o assunto tratado não foi divulgado. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles.
Também participaram da reunião o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada da Costa, e o delegado Dennis Cali, responsável pela Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção (Dicor).
O encontro ocorreu cerca de um mês após a divulgação de documentos da Polícia Federal que mencionam os nomes de Moraes e Andrei em mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Relatórios da Polícia Federal apontaram centenas de interações entre Vorcaro e um contato atribuído a Alexandre de Moraes. Entre os registros identificados estariam mensagens configuradas para visualização única.
As informações constam em documentos da investigação que tiveram o sigilo retirado em 1º de setembro, por determinação do ministro André Mendonça, também integrante do STF.
O nome de Andrei Rodrigues também apareceu em mensagens atribuídas ao banqueiro. A divulgação desses registros provocou novos desdobramentos envolvendo a direção da Polícia Federal.
Em 8 de setembro, André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF.
Na decisão, o ministro argumentou que a medida seria necessária para permitir que autoridades e servidores públicos exercessem suas funções sem possíveis constrangimentos ilegais.
No dia seguinte, 9 de setembro, o ministro Flávio Dino reverteu a determinação e ordenou a reintegração imediata de Andrei ao cargo.
Ainda naquela data, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu as decisões dos dois ministros relacionadas ao comando da Polícia Federal e determinou que o impasse fosse submetido à análise do plenário da Corte.
Em manifestação posterior, Andrei Rodrigues defendeu a legalidade dos relatórios produzidos pela corporação e negou que a Polícia Federal tenha realizado monitoramentos ilícitos.
Segundo o diretor-geral, a elaboração de documentos de inteligência faz parte das atribuições institucionais da PF e tem como objetivo fornecer informações para subsidiar decisões.
Andrei também afirmou que a corporação deve manter uma atuação técnica, sem interferências políticas, e se defender de ataques independentemente de sua origem.
Até a divulgação da reportagem, não havia informações oficiais sobre os assuntos discutidos na reunião de terça-feira entre Andrei Rodrigues, Alexandre de Moraes e os demais dirigentes da Polícia Federal.