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Médica se desculpa após sugerir manter pacientes 'petistas' internadas em Goiânia
Ginecologista afirma que nenhuma paciente teve alta negada por motivos políticos; hospital e Secretaria de Saúde anunciam apuração do caso
07/10/2026 20h07
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A ginecologista e obstetra Marcella Segato se pronunciou após ser denunciada ao Ministério Público Federal (MPF) por mensagens em que sugeriu não dar alta a pacientes do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, durante o fim de semana das eleições. A médica pediu desculpas e afirmou que nenhuma decisão sobre a liberação de pacientes foi influenciada por preferências políticas.

As mensagens foram enviadas em um grupo de WhatsApp de profissionais da saúde. Em uma delas, Marcella afirmou que “a maioria é petista”, ao se referir às pacientes da unidade.

Após a repercussão, a médica divulgou uma nota na qual reconheceu que suas mensagens foram inadequadas, mas negou que tenham resultado em qualquer alteração no atendimento.

“Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu”, declarou.

Marcella também ressaltou que as convicções políticas das pacientes não foram consideradas nas avaliações médicas.

“O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação”, afirmou.

Hospital e Secretaria de Saúde vão apurar o caso

O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informou que não possui posicionamento político-partidário e que as mensagens divulgadas representam manifestações pessoais dos profissionais envolvidos.

Segundo a unidade, as decisões relacionadas à internação, permanência hospitalar e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos e técnicos, sem qualquer discriminação.

A administração informou que adotará procedimentos internos para investigar os fatos. Caso sejam identificadas irregularidades, poderão ser aplicadas as medidas cabíveis.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) também confirmou a adoção de providências administrativas para apurar a conduta da médica e reforçou às equipes a necessidade de garantir atendimento ético e igualitário a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Conselho de Medicina acompanha denúncias

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclareceu que denúncias envolvendo possíveis infrações éticas cometidas por médicos são investigadas sob sigilo, conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional Médico.

O órgão também informou que solicita esclarecimentos ao responsável técnico da instituição mencionada nas denúncias.

A médica, por sua vez, afirmou que atua na realização de partos desde 2017 e que já atendeu milhares de mulheres de diferentes origens e convicções.

A denúncia ao MPF e as apurações administrativas ainda não representam uma conclusão sobre eventual irregularidade profissional.

Confira as notas na íntegra

Nota de Marcella Segato

“Peço desculpas às pacientes e às suas famílias, aos colegas, aos internos e ao hospital. Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional.

Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu.

Da mesma forma, nenhuma avaliação levou em conta preferência política. O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação.

Desde 2017, realizei milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções. É esse compromisso que verdadeiramente orienta minha vida profissional”.

Nota do Cremego

“O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) esclarece que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos, recebidas pelo Cremego ou das quais toma conhecimento, são apuradas e tramitam em total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico. O Cremego também solicita esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição citada nas denúncias”.

Nota da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS)

“O Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara informa que não adota posicionamento político-partidário e pauta sua atuação exclusivamente pelos princípios que regem a assistência pública à saúde, pela ética profissional e pelos critérios técnicos e assistenciais aplicáveis a cada paciente.

As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes, não representando, em nenhuma hipótese, posicionamento da Administração do Hospital ou da instituição responsável pela gestão da unidade.

O Hospital ressalta, ainda, que manifestações ou preferências políticas de caráter pessoal não se confundem com as condutas médicas e assistenciais adotadas na unidade. Decisões relativas à internação, permanência hospitalar e alta devem observar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de qualquer convicção política, ideológica, religiosa ou de outra natureza.

Diante das informações recebidas, a Administração adotará os procedimentos internos apropriados para apuração dos fatos e de seu contexto, assegurados o contraditório, a adequada instrução e a observância das normas institucionais e profissionais aplicáveis. Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com essas normas, serão adotadas as medidas cabíveis.

O Hospital reafirma seu compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e tecnicamente orientada, garantindo tratamento isonômico a todos os usuários do Sistema Único de Saúde.

A direção do HMMCC lamenta o ocorrido e apresenta desculpas formais aos colaboradores e pacientes que por algum motivo se sentirem atingidos pelo fato. Reitera ainda não pactuar com nenhuma forma de discriminação de qualquer natureza.

Por fim, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia informa que, assim que tomou conhecimento dos fatos relatados, adotou as medidas administrativas cabíveis para a apuração da conduta mencionada.

A Secretaria também reforçou a orientação às equipes quanto à necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS)”.