
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (7) um novo lema para sua campanha à reeleição, com foco na segurança pública. Durante um encontro com parlamentares do PT, o presidente defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e afirmou que a prioridade deve ser proteger a população e combater a criminalidade.
“Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão. É esse o nosso lema daqui pra frente”, declarou Lula.
A fala ocorreu durante uma reunião com deputados e senadores petistas eleitos no último domingo (4), além de parlamentares que já exercem mandato no Congresso Nacional.
A mudança no discurso acontece em meio à disputa pelo segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A segurança pública é um dos temas utilizados pela oposição para criticar o governo federal, especialmente pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na corrida presidencial.
Durante o encontro, Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública, proposta que busca ampliar a participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado e fortalecer a integração entre as forças policiais.
Segundo o presidente, a aprovação da medida também abriria caminho para a criação do Ministério da Segurança Pública e para o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp).
Lula argumentou que o modelo de divisão de responsabilidades estabelecido pela Constituição de 1988 precisa ser atualizado, já que, na avaliação dele, os estados não conseguiram enfrentar sozinhos o avanço das organizações criminosas.
O presidente afirmou que pretende ampliar a atuação da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Penal no combate à criminalidade.
Ele também declarou que o governo trabalha na transformação de 138 unidades prisionais regionais em estabelecimentos de segurança máxima, com o objetivo de dificultar a atuação de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além da segurança pública, Lula voltou a defender o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua durante seis dias e tem apenas um de descanso.
O presidente pediu que parlamentares aliados expliquem à população os efeitos da proposta, que prevê a redução da jornada semanal sem diminuição salarial.
“Ao invés de seis dias de trabalho, um de descanso, nós vamos querer cinco dias de trabalho, sem desconto salarial e dois dias de descanso”, afirmou.
Lula também cobrou um posicionamento de Flávio Bolsonaro sobre a proposta em discussão no Senado.
“Quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu desafio ele a votar favorável e a pedir para o PL votar favorável”, declarou.
O presidente criticou a defesa de negociações diretas entre empregados e empregadores como alternativa à mudança constitucional, argumentando que os trabalhadores poderiam ficar em desvantagem nessas negociações.
Com a segurança pública e a jornada de trabalho entre os principais temas de seu discurso, Lula busca reforçar propostas de governo e ampliar o debate com Flávio Bolsonaro nas semanas que antecedem o segundo turno.