A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está reformulando sua estratégia de comunicação para o segundo turno das eleições presidenciais. Após terminar a primeira etapa da disputa atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o petista passou a apostar em vídeos mais espontâneos, na mobilização de parlamentares jovens e na tentativa de conquistar eleitores que votaram em outros candidatos.
Uma das principais participantes dessa articulação é a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de 21 anos. Nesta quinta-feira (8), ela defendeu que a campanha intensifique as críticas ao histórico político de Flávio Bolsonaro e amplie o diálogo com eleitores de Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Segundo Ana Elisa, a disputa nas próximas semanas será marcada pela imagem dos candidatos e pela capacidade de alcançar o público nas plataformas digitais.
A deputada defende que sejam explorados episódios envolvendo Flávio, como as suspeitas de participação no esquema conhecido como rachadinha e sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As acusações citadas pela parlamentar não representam, por si só, comprovação de irregularidades.
Ana Elisa avalia que parte dos eleitores de Renan Santos pode migrar para Lula, principalmente pelas críticas que o candidato do Missão fez a Flávio Bolsonaro durante o primeiro turno.
Renan não declarou apoio oficial a Lula, mas algumas de suas publicações nas redes sociais têm provocado especulações entre seguidores sobre seu posicionamento na disputa.
A deputada também acredita que existe espaço para conquistar eleitores de Ronaldo Caiado, apesar de o ex-governador de Goiás ter anunciado apoio a Flávio.
Na avaliação dela, parte desse eleitorado representa uma direita mais tradicional, que não necessariamente se identifica com o bolsonarismo.
A parlamentar considera que essas diferenças podem ser exploradas pela campanha petista na tentativa de ampliar a votação de Lula.
A mudança de estratégia já começou a aparecer nas redes sociais do presidente.
Após uma reunião com parlamentares na quarta-feira (7), Lula passou a produzir conteúdos diretamente para a câmera do celular, em um formato mais próximo da linguagem utilizada por influenciadores digitais.
Somente naquele dia, nove vídeos nesse estilo foram publicados no perfil oficial do presidente. Em três deles, Lula apareceu sozinho. Nos outros seis, esteve acompanhado de deputados recém-eleitos.
Entre os temas abordados estão a mobilização de apoiadores, a importância do comparecimento às urnas e a redução da abstenção no segundo turno.
A mudança atende a sugestões de aliados que defendiam uma comunicação mais direta com os eleitores. Durante a reunião, Lula ouviu orientações de Ana Elisa, Guilherme Cortez (PSol-SP) e André Janones (Rede-MG).
Segundo relatos de participantes, o presidente reconheceu a importância do formato, apesar de ter demonstrado resistência anteriormente.
A campanha também está mobilizando uma rede de parlamentares com forte presença digital para ampliar o alcance das mensagens do presidente.
Ana Elisa foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.219 votos, ficando atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL) na disputa pela Câmara dos Deputados no estado.
Com 2,8 milhões de seguidores nas redes sociais, ela é considerada uma das apostas da campanha para melhorar o desempenho de Lula em Minas Gerais, onde Flávio terminou o primeiro turno com 588.612 votos de vantagem.
Outro aliado envolvido na estratégia é André Janones, que criou um canal no WhatsApp para mobilizar apoiadores. Segundo os dados divulgados, o grupo alcançou 2,1 milhões de seguidores em três dias.
A deputada federal eleita Rosa Amorim (PT-PE) também participa da articulação. Ela defende ações voltadas à juventude, incluindo atividades em universidades e escolas, além da discussão de propostas relacionadas à educação, emprego, renda e segurança pública.
A reformulação ocorre depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, a campanha petista tenta recuperar terreno, principalmente em estados considerados estratégicos, como Minas Gerais.
Além da comunicação digital, aliados defendem ampliar a mobilização nas ruas e o diálogo com eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos.
Enquanto Lula reorganiza sua campanha, Flávio Bolsonaro amplia sua base de apoio político. Republicanos, União Brasil e PP estão entre os partidos que anunciaram apoio ao candidato do PL.
Em meio à participação na campanha, Ana Elisa também afirmou que tem recebido ameaças e ataques pessoais.
Segundo a deputada eleita, seu endereço residencial e outros dados pessoais foram divulgados, além de mensagens com ameaças explícitas de violência.
Ela relatou que recebe escolta e apoio do PT e afirmou que pretende continuar participando das atividades políticas durante o segundo turno.