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MPGO investiga fraude em contratos de merenda escolar em Goiânia
Operação Sem Recreio cumpre 17 mandados em três cidades de Goiás; empresas são suspeitas de irregularidades no fornecimento de alimentos para 110 escolas estaduais
08/10/2026 18h03 Atualizada há 2 horas
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, nesta quinta-feira (8), a Operação Sem Recreio, que investiga suspeitas de fraudes em licitações e contratos de fornecimento de merenda escolar para a rede estadual de ensino em Goiânia. Ao todo, são cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais na capital, em Aparecida de Goiânia e em Pontalina.

A operação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar de Goiás (PMGO) e da Vigilância Sanitária municipal. Segundo o MPGO, oito pessoas físicas e nove empresas são alvos da investigação.

As suspeitas envolvem quatro pregões eletrônicos realizados em 2023 pela Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc), destinados à contratação de empresas para fornecer alimentos às escolas estaduais da capital.

Empresas teriam apresentado propostas abaixo do custo

De acordo com o Ministério Público, empresários do setor alimentício teriam se associado para manipular a disputa pelos contratos.

Em vez de competir entre si, as empresas participaram dos processos em consórcio e apresentaram propostas com valores, em média, 50% inferiores aos estimados pela administração pública.

Segundo a investigação, os preços ofertados não seriam suficientes para cobrir os custos dos alimentos que deveriam ser fornecidos.

Com as propostas, o grupo venceu os 32 lotes licitados e assumiu o abastecimento de 110 escolas estaduais de Goiânia, divididas entre as empresas contratadas.

Os quatro pregões tinham valor estimado de aproximadamente R$ 25 milhões, mas os contratos foram adjudicados por cerca de R$ 12 milhões.

Investigação aponta alimentos impróprios e cobranças irregulares

O MPGO suspeita que, para compensar os valores reduzidos apresentados nas licitações, as empresas tenham adotado práticas irregulares durante a execução dos contratos.

Entre as suspeitas estão a emissão de notas fiscais com valores superiores aos produtos efetivamente entregues, cobranças em duplicidade e fornecimento de quantidades menores do que as contratadas.

A investigação também aponta possíveis entregas de alimentos de baixa qualidade ou impróprios para consumo.

Além disso, foram identificadas empresas que não teriam estrutura compatível com o volume de fornecimento contratado e indícios do uso de pessoas interpostas na composição dos quadros societários.

Seduc já havia identificado prejuízo em contrato

Em um dos contratos investigados, a própria Secretaria de Estado da Educação identificou, por meio de procedimento administrativo, um prejuízo de aproximadamente R$ 58 mil.

Após a apuração, a pasta aplicou sanções às empresas envolvidas.

Segundo o Gaeco, há indícios de que, depois das penalidades, parte dos investigados tenha passado a atuar por meio de outras pessoas jurídicas.

As condutas investigadas podem configurar, em tese, crimes de organização criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação, fraude em licitação ou contrato e falsidade ideológica.

A Operação Sem Recreio busca reunir documentos e outros elementos que permitam esclarecer a atuação dos investigados, a execução dos contratos e a extensão dos possíveis prejuízos aos recursos públicos destinados à alimentação escolar.