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Governo zera impostos da gasolina a 16 dias do segundo turno
Medida vale por 30 dias e faz parte de pacote que amplia subsídios ao diesel e ao etanol; governo também libera R$ 7,52 bilhões para conter a alta dos combustíveis
09/10/2026 15h13
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Arte Lig News/IA

O governo federal anunciou, nesta sexta-feira (9), a suspensão por 30 dias dos impostos federais cobrados sobre a gasolina. A medida foi divulgada a 16 dias do segundo turno das eleições presidenciais e faz parte de um pacote para conter a alta dos combustíveis, provocada pelo aumento dos preços internacionais do petróleo em meio às tensões no Oriente Médio.

Com a decisão, a redução tributária sobre a gasolina passa de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro. O novo decreto zera temporariamente a cobrança de PIS/Pasep, Cofins e Cide-Combustíveis.

O pacote também mantém a desoneração do etanol, amplia os subsídios ao diesel e libera R$ 7,52 bilhões em crédito extraordinário para financiar as medidas.

Como ficam os preços dos combustíveis?

A suspensão dos impostos federais sobre a gasolina terá validade inicial de 30 dias, com possibilidade de prorrogação.

O benefício anterior, em vigor desde setembro, terminaria nesta sexta-feira. Com o novo decreto, o governo amplia o alívio tributário para o combustível.

No caso do etanol, permanece a redução de R$ 0,19 por litro.

Além disso, o subsídio destinado aos produtores e às cooperativas de etanol hidratado aumenta de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. O objetivo é preservar a competitividade do biocombustível em relação à gasolina.

Os valores representam reduções tributárias e incentivos. A queda efetiva nos preços cobrados dos consumidores dependerá do repasse ao longo da cadeia de distribuição e comercialização.

Subsídio ao diesel chega a R$ 3,52 por litro

O governo também anunciou um reforço no subsídio ao diesel rodoviário importado.

Durante os próximos 30 dias, será concedido um adicional de R$ 1,40 por litro, somado aos R$ 2,12 que já estavam em vigor.

Com isso, o apoio total poderá alcançar R$ 3,52 por litro.

A medida busca reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo e estimular a importação de diesel, considerada importante para garantir o abastecimento do mercado brasileiro.

Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), na quinta-feira (8), o diesel comercializado no Brasil estava, em média, R$ 3,06 por litro abaixo do preço de paridade de importação.

Na gasolina, a diferença era de R$ 0,57 por litro.

Essa defasagem pode desestimular a compra de combustíveis no exterior e aumentar a pressão sobre a oferta nacional.

Governo libera R$ 7,52 bilhões para financiar medidas

Além das mudanças tributárias, o governo publicou uma medida provisória que abre crédito extraordinário de R$ 7,52 bilhões no Orçamento.

Desse total, R$ 6,17 bilhões serão destinados a subsídios para o diesel rodoviário. Outros R$ 1,35 bilhão financiarão medidas relacionadas a derivados de petróleo.

De acordo com a equipe econômica, as ações voltadas à gasolina e ao etanol terão impacto fiscal estimado de R$ 3,6 bilhões em 2026.

Já o reforço do subsídio ao diesel deverá custar aproximadamente R$ 1,6 bilhão durante os 30 dias de vigência.

O governo afirma que a perda de arrecadação será compensada pelo aumento das receitas federais provenientes do setor de petróleo.

Anúncio ocorre em meio à disputa presidencial

As medidas foram anunciadas em um momento de pressão sobre os preços dos combustíveis e de disputa eleitoral.

O segundo turno das eleições presidenciais está marcado para 25 de outubro, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará o senador Flávio Bolsonaro (PL).

No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.

O pacote entra em vigor a 16 dias da votação e terá duração inicial de 30 dias. Durante esse período, o governo poderá avaliar a necessidade de prorrogar as medidas, conforme o comportamento dos preços internacionais e as condições de abastecimento.