
Os Estados Unidos pretendem transmitir ao vivo a execução por fuzilamento de Nidal Hasan, ex-psiquiatra do Exército condenado à morte por assassinar 13 pessoas em uma base militar no Texas, em 2009. A execução está marcada para 3 de dezembro e, segundo um funcionário do Pentágono, a transmissão será uma medida inédita.
Hasan, de 56 anos, deverá ser executado na mesma instalação militar onde cometeu o ataque. O governo norte-americano escolheu uma quinta-feira, às 13h, para realizar o procedimento, reproduzindo aproximadamente o dia da semana e o horário em que o massacre aconteceu.
A informação sobre a transmissão foi confirmada por um funcionário do Departamento de Defesa na quarta-feira (7). Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre como as imagens serão exibidas nem quais plataformas poderão transmitir a execução.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, já havia defendido publicamente a transmissão da execução durante uma entrevista ao podcast Human Events Daily.
Segundo ele, a escolha do local, da data e do horário foi intencional.
O fuzilamento está previsto para ocorrer na base militar de Fort Hood, no Texas, onde Hasan abriu fogo contra militares e civis em novembro de 2009.
Caso seja realizada conforme o planejamento anunciado, a execução será a primeira por pelotão de fuzilamento conduzida pelas Forças Armadas norte-americanas desde 1945.
Também será a primeira execução militar de qualquer modalidade nos Estados Unidos desde 1961, quando um condenado foi enforcado, segundo a organização Death Penalty Action, contrária à pena de morte.
Em 5 de novembro de 2009, Nidal Hasan, então psiquiatra do Exército dos Estados Unidos, abriu fogo dentro de uma unidade médica da base militar de Fort Hood, no Texas.
O ataque deixou 13 mortos e dezenas de feridos, tornando-se um dos episódios mais graves de violência registrados em uma instalação militar norte-americana.
Na época, Hasan estava prestes a ser enviado ao Afeganistão, onde as forças dos Estados Unidos participavam de operações militares.
Durante a resposta policial ao ataque, ele foi baleado e ficou parcialmente paralisado. Desde então, passou a utilizar cadeira de rodas.
O caso provocou forte repercussão nos Estados Unidos e levantou questionamentos sobre segurança interna e prevenção de ataques em instalações militares.
Quatro anos após o massacre, em 2013, Nidal Hasan foi julgado por um tribunal militar e considerado culpado por assassinatos e tentativas de homicídio.
Ele recebeu a pena de morte, mas a execução dependia do cumprimento de procedimentos previstos na legislação militar norte-americana.
Entre as exigências está a autorização do presidente dos Estados Unidos para que uma sentença de morte seja executada.
Segundo o Pentágono, Donald Trump aprovou o fuzilamento após receber uma recomendação do secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Com a autorização presidencial, o governo avançou na organização da execução, prevista para dezembro.
Embora seja uma prática rara, a execução por pelotão de fuzilamento continua prevista na legislação de pelo menos cinco estados norte-americanos, segundo o Centro de Informações sobre a Pena de Morte.
Em 2025, a Carolina do Sul realizou a primeira execução por fuzilamento nos Estados Unidos em 15 anos.
No sistema militar, porém, o procedimento não é utilizado desde a Segunda Guerra Mundial.
A possibilidade de transmitir ao vivo a morte de Hasan acrescenta um elemento incomum ao caso, já que o governo norte-americano ainda não explicou como será organizada a exibição pública.
A execução permanece prevista para 3 de dezembro, mas os detalhes operacionais da transmissão ainda dependem de esclarecimentos do Departamento de Defesa.