
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta para que todos os países sejam capazes de identificar e avaliar ameaças de saúde pública em até 24 horas após seu surgimento. O objetivo, anunciado nesta segunda-feira (12), deverá ser alcançado até 2031 e inclui o uso de inteligência artificial para monitorar possíveis sinais de epidemias e pandemias.
A iniciativa faz parte de uma nova estratégia do Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da OMS, criado para melhorar a capacidade de resposta dos países diante de doenças emergentes.
A proposta é reduzir o tempo entre o aparecimento de uma ameaça e sua identificação pelas autoridades sanitárias, permitindo que medidas de prevenção e controle sejam adotadas mais rapidamente.
Segundo a organização, a detecção precoce pode ajudar a impedir que surtos locais se transformem em epidemias de grandes proporções ou ultrapassem fronteiras.
Uma das principais novidades da estratégia é a ampliação do uso de inteligência artificial na vigilância de doenças.
A tecnologia será utilizada para analisar milhares de fontes públicas diariamente, em tempo real, buscando informações que possam indicar o surgimento de ameaças à saúde.
O monitoramento permitirá identificar sinais que precisem ser investigados pelas autoridades, como registros de doenças incomuns ou possíveis surtos.
A proposta é combinar a análise automatizada com o trabalho de especialistas, que poderão avaliar os alertas e determinar a necessidade de novas investigações.
Outra prioridade da OMS é fortalecer a capacidade dos países de realizar sequenciamento genômico e análises de bioinformática.
Essas ferramentas permitem estudar o material genético de vírus, bactérias e outros agentes causadores de doenças.
Com isso, os pesquisadores conseguem identificar patógenos emergentes, acompanhar suas características e obter informações importantes para o desenvolvimento de exames, tratamentos e vacinas.
A organização também pretende ampliar a colaboração entre profissionais especializados em modelagem matemática e ciência de dados.
A meta é conectar mais de 2 mil especialistas que possam ser mobilizados rapidamente diante de novas ameaças sanitárias.
O plano prevê ainda o fortalecimento da Iniciativa de Vigilância Colaborativa, que já está sendo implementada em mais de 83 países.
A OMS também pretende desenvolver sistemas digitais seguros para facilitar o compartilhamento de dados entre governos, instituições de pesquisa e parceiros internacionais.
A integração dessas informações deverá permitir que autoridades de diferentes regiões acompanhem ameaças emergentes e coordenem respostas com maior rapidez.
O Centro de Inteligência sobre Pandemias e Epidemias da OMS foi criado em 2021, com apoio da Alemanha, após os desafios enfrentados durante a pandemia de Covid-19.
Desde então, a estrutura já trabalhou com 160 Estados-membros da organização, apoiando iniciativas de vigilância epidemiológica, identificação de patógenos e preparação para emergências sanitárias.
A experiência da pandemia evidenciou a importância de sistemas capazes de detectar rapidamente novas doenças e compartilhar informações confiáveis entre os países.
Com a estratégia anunciada, a OMS pretende ampliar essa capacidade global nos próximos cinco anos.
A meta de 2031 não significa que todas as ameaças serão necessariamente detectadas em 24 horas, mas que os países deverão desenvolver condições técnicas e operacionais para identificar e avaliar riscos nesse intervalo.