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Campanha de Lula acusa Meta de favorecer Flávio Bolsonaro
Coligação questiona alcance de publicações nas redes sociais e aponta tratamento desigual da inteligência artificial do WhatsApp durante o segundo turno
14/10/2026 15h18
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. A coligação acusa a plataforma de favorecer conteúdos ligados ao candidato Flávio Bolsonaro (PL) e restringir publicações de apoiadores de Lula durante o segundo turno das eleições presidenciais.

Na ação, os advogados apontam uma suposta “seletividade algorítmica”, expressão utilizada para descrever um possível tratamento desigual dos conteúdos pelos sistemas que determinam o que aparece nas redes sociais e para quantas pessoas.

Segundo a campanha petista, publicações e anúncios favoráveis a Lula estariam sofrendo restrições de alcance, enquanto conteúdos de apoiadores de Flávio Bolsonaro receberiam maior distribuição.

As alegações ainda dependem de análise da Justiça Eleitoral. O material apresentado não comprova, por si só, que a Meta tenha favorecido deliberadamente uma das candidaturas.

Campanha questiona alcance de vídeos de Nikolas Ferreira

Um dos exemplos apresentados ao TSE envolve publicações do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiador de Flávio Bolsonaro.

A defesa de Lula afirma que vídeos divulgados pelo parlamentar alcançam números considerados desproporcionais em comparação aos de personalidades com grande audiência internacional.

O documento menciona as influenciadoras Kylie Jenner e Kim Kardashian, além do jogador Neymar, para questionar o alcance das publicações.

Na avaliação dos advogados, os números levantam suspeitas sobre a forma como os algoritmos distribuem conteúdos políticos.

“Em termos claros, a Meta vem entregando a campanha de Flávio Bolsonaro a uma quantidade de usuários e usuárias que sequer celebridades internacionais alcançam”, afirma a ação.

A comparação de alcance, entretanto, não demonstra isoladamente a existência de manipulação. A distribuição de publicações também pode variar conforme engajamento, formato e comportamento dos usuários.

Inteligência artificial do WhatsApp também é questionada

A campanha de Lula também aponta um possível tratamento desigual na ferramenta de inteligência artificial da Meta, disponível no WhatsApp.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, a Meta AI teria recusado pedidos para criar imagens com referências ao presidente Lula e ao número 13, enquanto teria permitido a geração de artes favoráveis a Flávio Bolsonaro e ao número 22.

O episódio foi citado na ação como exemplo de possível diferença nas regras aplicadas pela tecnologia aos dois candidatos.

A coligação argumenta que esse comportamento pode comprometer a igualdade de condições entre as campanhas.

Não há, nas informações apresentadas, uma conclusão técnica independente sobre a causa das diferenças relatadas no funcionamento da ferramenta.

Campanha pede medidas urgentes ao TSE

Diante das suspeitas, os advogados de Lula solicitaram uma decisão urgente da Justiça Eleitoral.

Entre os pedidos estão o fim imediato das supostas restrições impostas aos conteúdos da campanha e a remoção de perfis considerados inautênticos.

A coligação também solicita que a Meta seja obrigada a compensar o alcance que teria sido perdido pelas publicações.

A proposta é que a plataforma promova uma distribuição equivalente ao dobro do alcance alegadamente prejudicado, com os custos assumidos pela própria empresa.

Segundo a defesa, a medida seria necessária para reduzir os possíveis efeitos da desigualdade de exposição até o dia da votação.

Disputa acontece na reta final das eleições

O questionamento ocorre a menos de duas semanas do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Lula e Flávio Bolsonaro disputam a Presidência após uma diferença de menos de dois pontos percentuais no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Com a proximidade da votação, as redes sociais têm papel importante na divulgação de propostas, vídeos e mensagens das campanhas.

Agora, caberá ao TSE avaliar os argumentos apresentados e decidir se há elementos suficientes para determinar medidas contra a Meta.

Até as informações disponibilizadas na reportagem de origem, não havia decisão judicial sobre os novos pedidos nem manifestação da empresa incluída no material.