Política Política
PEC da Segurança avança no Senado; veja o que pode mudar
Proposta amplia a integração das polícias, endurece regras para integrantes de facções criminosas e permite a criação de polícias municipais
14/10/2026 18h57
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado concluiu, nesta quarta-feira (14), a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. O texto prevê maior integração entre as forças policiais, amplia a participação do governo federal no combate ao crime organizado e estabelece regras mais rígidas para integrantes de facções criminosas.

Com a conclusão da análise na comissão, a proposta está pronta para ser discutida e votada no plenário do Senado. Entre as principais medidas estão a restrição à chamada “saidinha” de presos ligados a organizações criminosas, a criação de polícias municipais e a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

A PEC é uma das prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta pelo Congresso.

O que é o chamado SUS da Segurança?

Um dos principais pontos da PEC é a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição Federal.

O modelo, chamado de “SUS da Segurança”, busca ampliar a integração entre União, estados, Distrito Federal e municípios no enfrentamento à criminalidade.

A proposta prevê maior cooperação entre as forças de segurança, incluindo a realização de operações conjuntas e o compartilhamento de informações.

O texto também estabelece competências para a elaboração de leis sobre segurança pública, organização das polícias, guardas municipais e sistema socioeducativo.

A intenção é permitir uma atuação mais coordenada entre os diferentes níveis de governo, especialmente em investigações e operações contra organizações criminosas.

PEC endurece regras para integrantes de facções

Outra mudança prevista é o aumento do rigor no tratamento penal de integrantes de organizações criminosas, milícias privadas e grupos paramilitares.

Entre as medidas está a obrigatoriedade de cumprimento de pena em estabelecimentos de segurança máxima ou unidades de natureza especial, conforme as condições previstas na proposta.

O texto também prevê restrições à progressão de regime, à concessão de liberdade provisória e às saídas temporárias de presos envolvidos com essas organizações.

Na prática, a proposta busca dificultar o acesso desses integrantes a benefícios penais, incluindo a chamada “saidinha”.

A PEC ainda permite a expropriação de bens, direitos e valores econômicos relacionados às atividades criminosas.

O objetivo é atingir também o patrimônio e os recursos financeiros utilizados por facções e milícias.

Municípios poderão criar suas próprias polícias

A proposta abre caminho para a criação de polícias municipais voltadas ao policiamento ostensivo e comunitário.

Esse tipo de atuação envolve a presença de agentes nas ruas, a prevenção de crimes e o atendimento de ocorrências próximas à população.

A medida pretende ampliar a participação dos municípios na segurança pública, dentro das competências estabelecidas pela legislação.

PRF poderá atuar em ferrovias e hidrovias

A PEC também prevê mudanças nas atribuições da Polícia Rodoviária Federal.

Além das rodovias, a corporação poderá atuar no policiamento de ferrovias e hidrovias.

O texto ainda permite que a PRF apoie outras forças de segurança quando houver solicitação do governador.

A proposta mantém a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sob competência privativa da União, assim como as normas relacionadas às atividades de inteligência.

Por que a votação foi concluída somente agora?

O texto principal da PEC já havia sido aprovado pela CCJ em 2 de setembro.

Na ocasião, porém, três trechos apresentados para votação separada, conhecidos como destaques, ficaram pendentes de análise.

Nesta quarta-feira, os senadores concluíram essa etapa em uma sessão que durou aproximadamente dez minutos.

O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), rejeitou as alterações propostas e manteve o texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados.

A decisão evita, caso a proposta seja aprovada sem novas mudanças, a necessidade de uma nova análise pelos deputados.

Quais são os próximos passos?

Com a votação concluída na CCJ, a PEC segue para o plenário do Senado, onde precisará ser aprovada em dois turnos, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada um.

O governo busca acelerar a tramitação para concluir a votação antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.

A segurança pública ganhou destaque na campanha de Lula, que passou a utilizar o lema “Para o povo trabalhador, proteção; para o bandido, prisão”.

Apesar do avanço na comissão, as mudanças previstas na PEC ainda não estão em vigor. Para entrarem na Constituição, precisam ser aprovadas nas etapas restantes da tramitação legislativa.