O preço do petróleo ultrapassou US$ 111 por barril nesta terça-feira (20), atingindo o maior nível em cinco meses, em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio. A escalada das tensões ameaça o transporte da commodity por rotas estratégicas e aumenta o temor de interrupções no abastecimento mundial. Diante do cenário, a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia liberar mais petróleo de suas reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.
Por volta das 9h, o barril do petróleo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 111,12, com valorização de 1,43%. Durante a manhã, chegou a US$ 111,69, uma alta de aproximadamente 2%.
O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou e atingiu US$ 109,60 por barril, com valorização de 5,7%.
No entanto, o movimento perdeu força ao longo do dia. À tarde, o Brent registrava queda de 0,76%, sendo negociado a US$ 108,72. A oscilação demonstra a volatilidade do mercado diante das incertezas sobre a segurança do transporte e a oferta de petróleo.
A alta registrada durante a manhã ocorreu após relatos de novos ataques contra instalações estratégicas no Oriente Médio.
Na segunda-feira (19), os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram ter realizado ataques contra instalações de energia, aeroportos e alvos militares na Arábia Saudita.
Entre os locais mencionados está uma instalação da Saudi Aramco, petrolífera estatal saudita e uma das maiores produtoras de petróleo do mundo.
As autoridades da Arábia Saudita não confirmaram imediatamente as alegações, e os ataques não haviam sido verificados de forma independente.
A possibilidade de danos à infraestrutura de produção e transporte de petróleo aumenta a preocupação dos investidores com uma eventual redução da oferta global.
Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.
A região é uma das rotas mais importantes do comércio internacional de petróleo, utilizada para o transporte da produção de países do Oriente Médio até mercados consumidores.
Segundo a empresa de análise Kpler, o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de aproximadamente 8,5 milhões de barris por dia na semana passada.
Na semana anterior, o volume superava 20 milhões de barris diários.
A redução está associada ao aumento dos riscos à navegação, que dificultam o deslocamento de petroleiros pela região.
No domingo (18), um navio petroleiro pegou fogo e explodiu após uma suposta colisão com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela Guarda Revolucionária do Irã e reproduzidas pela imprensa iraniana.
O episódio ampliou as preocupações com a segurança da rota marítima.
Para tentar reduzir a pressão sobre os preços, a Agência Internacional de Energia afirmou estar preparada para coordenar uma nova liberação de petróleo das reservas de emergência de seus países membros, caso seja necessário.
Na semana passada, a organização decidiu acelerar a disponibilização do volume restante de um pacote anunciado em março, que previa a liberação de mais de 400 milhões de barris.
Segundo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, aproximadamente 80% desse volume já havia sido liberado.
A AIE também trabalha para antecipar a disponibilização de mais de 20 milhões de barris de diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias, a agricultura e a indústria.
A medida busca ampliar a oferta e reduzir o impacto das interrupções no fornecimento internacional.
O aumento do preço do petróleo pode afetar diferentes setores da economia, especialmente aqueles que dependem de combustíveis para transporte e produção.
O diesel, por exemplo, é utilizado no transporte rodoviário de cargas e em máquinas agrícolas. Quando seu preço sobe, os custos de distribuição e produção também podem aumentar.
Esse movimento pode pressionar os preços de alimentos e outros produtos, embora o repasse aos consumidores dependa de fatores como câmbio, tributação e política de preços dos combustíveis.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou, na segunda-feira (19), um programa de US$ 8 bilhões em auxílio a agricultores para compensar parte dos custos com diesel durante a temporada de colheita.
A iniciativa foi apresentada em meio à preocupação com o custo de vida e à proximidade das eleições legislativas americanas de novembro.
A evolução das cotações nos próximos dias dependerá da intensidade dos conflitos, da segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz e das medidas adotadas para garantir o abastecimento internacional.