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Petróleo supera US$ 111 com tensão no Oriente Médio
Barril atinge maior cotação em cinco meses após ataques na região; Agência Internacional de Energia avalia liberar novas reservas para conter os preços
20/10/2026 16h48
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução/Reuters

O preço do petróleo ultrapassou US$ 111 por barril nesta terça-feira (20), atingindo o maior nível em cinco meses, em meio à intensificação dos conflitos no Oriente Médio. A escalada das tensões ameaça o transporte da commodity por rotas estratégicas e aumenta o temor de interrupções no abastecimento mundial. Diante do cenário, a Agência Internacional de Energia (AIE) avalia liberar mais petróleo de suas reservas de emergência para tentar conter a alta dos preços.

Por volta das 9h, o barril do petróleo Brent, referência internacional, era negociado a US$ 111,12, com valorização de 1,43%. Durante a manhã, chegou a US$ 111,69, uma alta de aproximadamente 2%.

O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, também avançou e atingiu US$ 109,60 por barril, com valorização de 5,7%.

No entanto, o movimento perdeu força ao longo do dia. À tarde, o Brent registrava queda de 0,76%, sendo negociado a US$ 108,72. A oscilação demonstra a volatilidade do mercado diante das incertezas sobre a segurança do transporte e a oferta de petróleo.

Ataques no Oriente Médio aumentam preocupação

A alta registrada durante a manhã ocorreu após relatos de novos ataques contra instalações estratégicas no Oriente Médio.

Na segunda-feira (19), os houthis do Iêmen, grupo alinhado ao Irã, afirmaram ter realizado ataques contra instalações de energia, aeroportos e alvos militares na Arábia Saudita.

Entre os locais mencionados está uma instalação da Saudi Aramco, petrolífera estatal saudita e uma das maiores produtoras de petróleo do mundo.

As autoridades da Arábia Saudita não confirmaram imediatamente as alegações, e os ataques não haviam sido verificados de forma independente.

A possibilidade de danos à infraestrutura de produção e transporte de petróleo aumenta a preocupação dos investidores com uma eventual redução da oferta global.

Estreito de Ormuz registra queda no transporte de petróleo

Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, passagem marítima localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã.

A região é uma das rotas mais importantes do comércio internacional de petróleo, utilizada para o transporte da produção de países do Oriente Médio até mercados consumidores.

Segundo a empresa de análise Kpler, o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de aproximadamente 8,5 milhões de barris por dia na semana passada.

Na semana anterior, o volume superava 20 milhões de barris diários.

A redução está associada ao aumento dos riscos à navegação, que dificultam o deslocamento de petroleiros pela região.

No domingo (18), um navio petroleiro pegou fogo e explodiu após uma suposta colisão com uma mina naval no sul do Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas pela Guarda Revolucionária do Irã e reproduzidas pela imprensa iraniana.

O episódio ampliou as preocupações com a segurança da rota marítima.

Agência Internacional de Energia avalia liberar novas reservas

Para tentar reduzir a pressão sobre os preços, a Agência Internacional de Energia afirmou estar preparada para coordenar uma nova liberação de petróleo das reservas de emergência de seus países membros, caso seja necessário.

Na semana passada, a organização decidiu acelerar a disponibilização do volume restante de um pacote anunciado em março, que previa a liberação de mais de 400 milhões de barris.

Segundo o diretor-executivo da agência, Fatih Birol, aproximadamente 80% desse volume já havia sido liberado.

A AIE também trabalha para antecipar a disponibilização de mais de 20 milhões de barris de diesel, combustível essencial para o transporte de mercadorias, a agricultura e a indústria.

A medida busca ampliar a oferta e reduzir o impacto das interrupções no fornecimento internacional.

Alta pode pressionar combustíveis e alimentos

O aumento do preço do petróleo pode afetar diferentes setores da economia, especialmente aqueles que dependem de combustíveis para transporte e produção.

O diesel, por exemplo, é utilizado no transporte rodoviário de cargas e em máquinas agrícolas. Quando seu preço sobe, os custos de distribuição e produção também podem aumentar.

Esse movimento pode pressionar os preços de alimentos e outros produtos, embora o repasse aos consumidores dependa de fatores como câmbio, tributação e política de preços dos combustíveis.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou, na segunda-feira (19), um programa de US$ 8 bilhões em auxílio a agricultores para compensar parte dos custos com diesel durante a temporada de colheita.

A iniciativa foi apresentada em meio à preocupação com o custo de vida e à proximidade das eleições legislativas americanas de novembro.

A evolução das cotações nos próximos dias dependerá da intensidade dos conflitos, da segurança da navegação pelo Estreito de Ormuz e das medidas adotadas para garantir o abastecimento internacional.