A rodada entregou ao Goiás exatamente a oportunidade que o clube precisava para voltar de vez à disputa pelos playoffs da Série B. Atlético-GO, CRB e Sport haviam tropeçado, e uma vitória diante do Náutico colocaria o Esmeraldino a apenas três pontos do G6.
Mas faltou o principal: vencer.
Na noite desta segunda-feira (19), o Goiás ficou no 0 a 0 com o Náutico, na Serrinha, chegou aos 49 pontos e permaneceu na nona colocação. O Atlético-GO, sexto colocado, tem 54.
Com apenas quatro partidas restantes, a distância não é matematicamente impossível de ser superada. O problema é que, além de tirar cinco pontos na classificação, o Goiás precisa superar outros concorrentes que também estão entre ele e o G6.
O sonho continua vivo. A margem para novos erros, praticamente não.
O contexto tornou o empate ainda mais doloroso.
O Goiás vinha de duas vitórias consecutivas e recebeu um Náutico pressionado na parte inferior da tabela. Paralelamente, os resultados dos concorrentes haviam aberto uma possibilidade que parecia improvável algumas rodadas atrás.
Uma vitória levaria o Verdão aos 51 pontos e mudaria completamente o cenário das quatro rodadas finais.
Não aconteceu.
O time teve dificuldades para transformar a necessidade da vitória em produção ofensiva suficiente para superar o Náutico.
O resultado também interrompeu a sequência positiva que alimentava a possibilidade de uma arrancada semelhante à protagonizada pelo próprio clube na reta final de 2024.
O sentimento após o jogo ficou evidente na entrevista de Mozart.
“Empatamos o jogo em casa, o que é bem frustrante para nós. Muito frustrante, principalmente para os jogadores, que lutaram.”
O treinador também enfrentou protestos. Vaiado durante o segundo tempo e novamente após o apito final, Mozart tratou as críticas com naturalidade e até utilizou o bom humor ao dizer que, nos momentos ruins, as cobranças acabam sobrando até para sua mãe.
Por trás da resposta descontraída, entretanto, existe uma pressão real.
O Goiás iniciou a rodada diante de uma chance concreta de diminuir drasticamente sua distância para o grupo de classificação. Terminou exatamente com a sensação contrária.
Restam 12 pontos em disputa.
O Goiás tem 49 e pode chegar no máximo aos 61.
Portanto, matematicamente ainda existe possibilidade de alcançar os playoffs. Mas o clube já não controla sozinho seu destino.
Atlético-GO, CRB e Sport estão à frente, e o Esmeraldino precisará combinar uma campanha muito forte nas quatro rodadas finais com tropeços dos concorrentes.
A boa notícia é que o calendário ainda oferece confrontos que podem mexer diretamente nessa disputa. Depois do Ceará, o Goiás encara CRB, Ponte Preta e Sport, sendo dois desses adversários concorrentes na luta pelas posições superiores.
Isso mantém uma pequena porta aberta.
Mas a chance desperdiçada diante do Náutico aumentou consideravelmente a dificuldade para atravessá-la.
Apesar do cenário, Mozart deixou claro que não pretende permitir que a frustração se transforme em desistência.
“Temos 12 pontos para disputar e vamos nos preparar para o jogo contra o Ceará. Eu não faço drama, não é minha característica. É encarar de frente esse próximo adversário.”
A declaração resume aquilo que resta ao Goiás.
Não existe mais espaço para projeções confortáveis ou para depender apenas de uma arrancada futura. A reação precisa acontecer imediatamente.
O próximo compromisso será na terça-feira (27), às 20h, contra o Ceará, no Castelão.
O Goiás ainda pode chegar ao G6.
Mas depois de receber uma rodada praticamente desenhada para sua aproximação e não conseguir vencer dentro da Serrinha, a discussão mudou.
Antes, o Verdão precisava de uma arrancada. Agora, precisa de uma arrancada quase perfeita e de ajuda dos concorrentes.