O Corinthians conseguiu interromper a sequência de derrotas, mas ainda não encontrou o caminho das vitórias. O empate por 1 a 1 com o Vitória, na Neo Química Arena, levou o Timão ao nono jogo consecutivo sem vencer no Campeonato Brasileiro e aumentou a preocupação com um possível rebaixamento.
Segundo projeção da Opta, o risco de queda do Corinthians subiu de 33,9% para 36,4% após a 31ª rodada.
O número ajuda a dimensionar um cenário que já preocupa pelo desempenho dentro de campo. Restam sete partidas para o fim do campeonato e o clube atravessa sua pior sequência justamente no momento em que cada ponto passa a ter peso ainda maior.
Depois da goleada por 4 a 1 sofrida para o Palmeiras, o Corinthians precisava apresentar uma resposta diante do Vitória.
O empate interrompeu a sequência de derrotas, mas não aquela que realmente incomoda.
Já são nove partidas sem uma vitória.
E deixar dois pontos em casa contra outro time envolvido na parte inferior da tabela mantém o Corinthians perigosamente próximo da disputa contra o rebaixamento.
O Timão também foi beneficiado por resultados paralelos. Grêmio, Internacional e Vasco perderam na rodada, impedindo uma deterioração ainda maior de sua situação na classificação.
Mas depender dos tropeços dos concorrentes não reduz o principal problema: o Corinthians precisa voltar a vencer.
É justamente nesse ambiente que Clarence Seedorf inicia seu trabalho.
Anunciado na semana passada, o holandês acompanhou o empate com o Vitória das arquibancadas e agora assume efetivamente uma equipe pressionada pela tabela e emocionalmente desgastada por uma longa sequência sem vitórias.
O desafio imediato está longe de ser apenas tático.
Seedorf precisa recuperar confiança, encontrar rapidamente uma formação competitiva e fazer o Corinthians pontuar antes que a proximidade da zona de rebaixamento se transforme em uma situação ainda mais perigosa.
E sua estreia terá peso enorme.
No sábado (24), às 18h30, o Corinthians visita o Vasco, justamente outro clube que ainda aparece nas projeções de rebaixamento.
O time carioca ocupa a 15ª colocação, com 35 pontos, mas possui um jogo a menos e aparece com apenas 5,8% de risco de queda, segundo a Opta.
Isso transforma o confronto em uma oportunidade importante para o Corinthians.
Vencer significaria encerrar o jejum e retirar pontos de um adversário da mesma região da tabela.
Uma nova derrota pode aumentar ainda mais a pressão.
Depois, o calendário reserva Mirassol, em casa, e São Paulo, fora, aumentando o grau de dificuldade da sequência.
Se a preocupação corintiana cresceu, no Rio Grande do Sul o cenário é ainda mais grave.
O Grêmio perdeu em casa por 4 a 2 para o Cruzeiro, ocupa a 18ª colocação com 31 pontos e ultrapassou os 80% de probabilidade de rebaixamento na projeção da Opta.
O Internacional também está dentro do Z4. Depois da derrota por 2 a 0 para o Mirassol, o Colorado aparece em 17º, com 32 pontos, e tem 55,2% de risco de queda.
Na parte mais crítica estão Chapecoense e Remo.
A Chapecoense aparece com 100% de probabilidade de descenso no modelo estatístico, enquanto o Remo chega a 99%.
É importante destacar que essas porcentagens representam projeções estatísticas, e não rebaixamentos matematicamente confirmados.
O cenário apresentado após a 31ª rodada coloca Chapecoense e Remo em situação extrema, seguidos por Grêmio, Internacional e Corinthians.
Entre os demais clubes citados pela projeção aparecem Mirassol, com 8,9%; Vitória, 8,3%; Vasco, 5,8%; Coritiba, 4%; Botafogo, 1,7%; Red Bull Bragantino, 0,1%; e São Paulo, 0,1%.
O Corinthians, com 36,4%, encontra-se em uma posição desconfortável: ainda possui margem para escapar, mas já apresenta risco suficientemente alto para transformar cada rodada em decisão.
O tamanho do Corinthians e a qualidade de seu elenco não oferecem proteção contra a tabela.
O futebol brasileiro já mostrou inúmeras vezes que grandes clubes podem entrar em espirais perigosas quando resultados ruins, pressão e falta de confiança se acumulam.
Seedorf chega justamente para tentar interromper esse processo.
Ainda existem sete rodadas.
Ainda existem pontos suficientes.
E existem adversários em situações ainda mais delicadas.
Mas nove jogos sem vencer deixam um recado claro:
o Corinthians ainda tem tempo para reagir, mas já não tem mais tempo para adiar essa reação.