O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu autorização do Pentágono para testar uma arma militar que utiliza ondas eletromagnéticas para provocar uma intensa sensação de calor na pele. O equipamento poderá ser empregado em operações de segurança na fronteira com o México, uma das principais áreas de atuação da política migratória norte-americana. A decisão foi revelada nesta quarta-feira (21) pela CNN, que teve acesso a um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.
A autorização permite que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) realize testes e desenvolva estratégias para avaliar o uso da tecnologia no controle de aglomerações e em operações de patrulhamento na região de fronteira. O equipamento foi desenvolvido pelas Forças Armadas norte-americanas e é classificado como uma arma não letal.
Conhecido oficialmente como Sistema de Negação Ativa (Active Denial System), o dispositivo dispara um feixe invisível de ondas eletromagnéticas capaz de atingir pessoas a uma distância superior a 800 metros.
Quando entra em contato com a pele, a energia provoca uma sensação imediata e intensa de queimadura. Especialistas militares comparam o efeito ao calor sentido ao abrir a porta de um forno muito quente.
A tecnologia foi projetada para provocar desconforto suficiente para fazer com que as pessoas se afastem rapidamente da área atingida, sem recorrer a projéteis convencionais.
Segundo informações militares, o equipamento também pode provocar uma sensação de formigamento. Apesar de ser considerado não letal, seu uso exige avaliação dos possíveis riscos à saúde e das condições em que poderá ser empregado.
A autorização foi formalizada por meio de um documento assinado por Pete Hegseth, que permite ao Departamento de Segurança Interna testar o equipamento e desenvolver procedimentos operacionais para uma eventual utilização na fronteira.
O período de avaliação será de sete meses. Durante essa etapa, as autoridades deverão analisar a eficácia da tecnologia e as possibilidades de utilização em operações de segurança.
Até o momento, não foram divulgados os trechos da fronteira onde os testes serão realizados nem as circunstâncias em que o dispositivo poderá ser utilizado contra pessoas.
A possibilidade de empregar a arma para dispersar grandes grupos na divisa entre Estados Unidos e México já vinha sendo discutida internamente por autoridades da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
A iniciativa ocorre em meio ao endurecimento das medidas de controle migratório adotadas pelo governo Trump. Desde o início de sua administração, o presidente norte-americano tem colocado a fiscalização das fronteiras entre as prioridades de segurança nacional.
O eventual uso do Sistema de Negação Ativa representaria uma nova aplicação de tecnologia militar nas atividades de controle da imigração, especialmente em situações que envolvam grandes concentrações de pessoas próximas à fronteira.
A proposta, entretanto, também levanta questionamentos sobre o emprego da força e os riscos para pessoas atingidas pelo feixe térmico. Entre as preocupações estão possíveis ferimentos e os efeitos do equipamento em situações de travessia por rios ou outras áreas de risco.
Apesar da autorização, ainda não existe confirmação de que a arma será utilizada de forma permanente nas operações de fronteira. A decisão dependerá dos resultados dos testes e da avaliação das autoridades norte-americanas sobre a segurança e a viabilidade do equipamento.