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PF suspeita de sociedade entre Flávio Bolsonaro e Willer Thomaz
Investigação aponta que candidato à Presidência tinha acesso privilegiado à conta bancária de empresa ligada a Willer Tomaz; ambos negam irregularidades
22/10/2026 15h43
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga a suspeita de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, tenha mantido uma sociedade não declarada com o advogado Willer Tomaz. A hipótese consta de um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Entre os indícios identificados está o cadastro do senador como usuário com acesso privilegiado a uma conta bancária de uma empresa ligada ao advogado.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a investigação foi distribuída ao ministro Alexandre de Moraes na sexta-feira (16). O procedimento está sob responsabilidade de uma equipe especializada da Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro e à transferência irregular de recursos para o exterior.

As suspeitas surgiram durante a análise de arquivos digitais obtidos em uma operação de busca e apreensão contra Willer Tomaz, realizada em agosto como parte da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Flávio tinha acesso privilegiado a conta bancária, diz PF

Os investigadores identificaram que Flávio Bolsonaro estava cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa vinculada a Willer Tomaz.

Esse tipo de cadastro pode permitir acesso ampliado às operações financeiras, incluindo gerenciamento de informações e movimentações da conta, conforme as permissões concedidas pela instituição bancária.

Para a Polícia Federal, o registro, analisado em conjunto com outros vínculos entre o senador e o advogado, levanta a possibilidade de Flávio ter participação econômica ou societária na empresa, mesmo sem aparecer formalmente como sócio.

A investigação também encontrou um e-mail de 22 de maio de 2025, no qual foi solicitada a retirada do acesso de Flávio à conta. Segundo os investigadores, o documento indica que o vínculo operacional teria permanecido ativo até aquela data.

A existência do cadastro, entretanto, não comprova por si só que o senador fosse proprietário de parte da empresa ou tivesse participado de operações ilícitas.

Advogado movimentou R$ 5 bilhões em apostas

Outro ponto da investigação envolve as operações financeiras de Willer Tomaz em plataformas de apostas esportivas e jogos on-line.

Uma nota técnica do Ministério da Fazenda identificou que o advogado movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas durante 2025, sendo apontado como o usuário com maior volume de operações desse tipo no país naquele ano.

O documento também registra cerca de R$ 200 milhões em saques realizados por Tomaz nas plataformas. O montante de R$ 5 bilhões representa o volume acumulado de apostas, que pode incluir valores ganhos e utilizados novamente em outras operações, não significando necessariamente que todo esse dinheiro tenha sido depositado pelo advogado.

As movimentações chamaram a atenção das autoridades responsáveis pelo monitoramento do setor de apostas. A Polícia Federal busca esclarecer a origem dos recursos e verificar se as operações podem ter sido utilizadas para ocultar dinheiro de origem irregular.

Flávio e Willer negam irregularidades

A defesa de Flávio Bolsonaro contesta a interpretação da Polícia Federal e afirma que o senador não manteve sociedade financeira com Willer Tomaz ou suas empresas.

Segundo a assessoria do candidato, o registro bancário identificado pelos investigadores teria sido uma vinculação indevida, posteriormente corrigida. A defesa também questiona a divulgação das informações durante o período eleitoral.

Willer Tomaz, por sua vez, afirma que mantém uma relação de amizade com Flávio, mas nega a existência de sociedade entre os dois. O advogado também sustenta que os valores movimentados em apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal.

Investigação ocorre em meio à disputa sobre sigilos

As informações sobre a investigação ganharam repercussão durante a discussão entre as campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos.

A campanha de Lula incluiu a Alcazar Holdings entre as empresas cujos registros financeiros deseja tornar públicos, alegando que o vínculo identificado pela Polícia Federal precisa ser esclarecido.

Nesta quinta-feira (22), representantes dos dois candidatos compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tratar de um acordo sobre a abertura dos sigilos. A eventual divulgação depende de análise judicial e das autorizações necessárias.

A investigação conduzida pela Polícia Federal segue em andamento e deverá buscar novas informações para determinar a natureza da relação financeira entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.

Até o momento, os elementos divulgados representam suspeitas sob apuração, sem comprovação definitiva de sociedade oculta ou de participação do candidato nos crimes investigados.