A Polícia Federal investiga a suspeita de que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, tenha mantido uma sociedade não declarada com o advogado Willer Tomaz. A hipótese consta de um relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Entre os indícios identificados está o cadastro do senador como usuário com acesso privilegiado a uma conta bancária de uma empresa ligada ao advogado.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a investigação foi distribuída ao ministro Alexandre de Moraes na sexta-feira (16). O procedimento está sob responsabilidade de uma equipe especializada da Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro e à transferência irregular de recursos para o exterior.
As suspeitas surgiram durante a análise de arquivos digitais obtidos em uma operação de busca e apreensão contra Willer Tomaz, realizada em agosto como parte da Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os investigadores identificaram que Flávio Bolsonaro estava cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa vinculada a Willer Tomaz.
Esse tipo de cadastro pode permitir acesso ampliado às operações financeiras, incluindo gerenciamento de informações e movimentações da conta, conforme as permissões concedidas pela instituição bancária.
Para a Polícia Federal, o registro, analisado em conjunto com outros vínculos entre o senador e o advogado, levanta a possibilidade de Flávio ter participação econômica ou societária na empresa, mesmo sem aparecer formalmente como sócio.
A investigação também encontrou um e-mail de 22 de maio de 2025, no qual foi solicitada a retirada do acesso de Flávio à conta. Segundo os investigadores, o documento indica que o vínculo operacional teria permanecido ativo até aquela data.
A existência do cadastro, entretanto, não comprova por si só que o senador fosse proprietário de parte da empresa ou tivesse participado de operações ilícitas.
Outro ponto da investigação envolve as operações financeiras de Willer Tomaz em plataformas de apostas esportivas e jogos on-line.
Uma nota técnica do Ministério da Fazenda identificou que o advogado movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões em apostas durante 2025, sendo apontado como o usuário com maior volume de operações desse tipo no país naquele ano.
O documento também registra cerca de R$ 200 milhões em saques realizados por Tomaz nas plataformas. O montante de R$ 5 bilhões representa o volume acumulado de apostas, que pode incluir valores ganhos e utilizados novamente em outras operações, não significando necessariamente que todo esse dinheiro tenha sido depositado pelo advogado.
As movimentações chamaram a atenção das autoridades responsáveis pelo monitoramento do setor de apostas. A Polícia Federal busca esclarecer a origem dos recursos e verificar se as operações podem ter sido utilizadas para ocultar dinheiro de origem irregular.
A defesa de Flávio Bolsonaro contesta a interpretação da Polícia Federal e afirma que o senador não manteve sociedade financeira com Willer Tomaz ou suas empresas.
Segundo a assessoria do candidato, o registro bancário identificado pelos investigadores teria sido uma vinculação indevida, posteriormente corrigida. A defesa também questiona a divulgação das informações durante o período eleitoral.
Willer Tomaz, por sua vez, afirma que mantém uma relação de amizade com Flávio, mas nega a existência de sociedade entre os dois. O advogado também sustenta que os valores movimentados em apostas têm origem lícita, são compatíveis com seus rendimentos e foram declarados à Receita Federal.
As informações sobre a investigação ganharam repercussão durante a discussão entre as campanhas de Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos.
A campanha de Lula incluiu a Alcazar Holdings entre as empresas cujos registros financeiros deseja tornar públicos, alegando que o vínculo identificado pela Polícia Federal precisa ser esclarecido.
Nesta quinta-feira (22), representantes dos dois candidatos compareceram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tratar de um acordo sobre a abertura dos sigilos. A eventual divulgação depende de análise judicial e das autorizações necessárias.
A investigação conduzida pela Polícia Federal segue em andamento e deverá buscar novas informações para determinar a natureza da relação financeira entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
Até o momento, os elementos divulgados representam suspeitas sob apuração, sem comprovação definitiva de sociedade oculta ou de participação do candidato nos crimes investigados.