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Amigo de Flávio movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas, diz processo
Willer Tomaz depositou R$ 325 milhões na plataforma Blaze e acumulou prejuízo de R$ 145 milhões; advogado é investigado pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas
22/10/2026 15h53
Por: Lavínia Dornellas
Foto: Arte Lig Digital/IA

O advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), movimentou R$ 6,6 bilhões em apostas na plataforma Blaze entre 2025 e 2026, segundo documentos de um processo judicial obtidos pela CNN Brasil. No período, ele realizou depósitos de aproximadamente R$ 325 milhões e acumulou uma perda líquida de R$ 145 milhões. O advogado também é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Os registros fazem parte de uma ação movida por Tomaz contra a empresa responsável pela plataforma, no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Ao longo do período analisado, foram realizadas 53.310 apostas, que totalizaram R$ 6,6 bilhões em movimentações. Desse montante, aproximadamente R$ 6,41 bilhões retornaram ao apostador em forma de prêmios.

O valor bilionário não representa a quantia efetivamente depositada pelo advogado. Isso porque, nas plataformas de apostas, o dinheiro recebido em prêmios pode ser utilizado novamente em outras rodadas, aumentando o volume total registrado.

Entenda a movimentação de R$ 6,6 bilhões

De acordo com os documentos judiciais, Willer Tomaz realizou 2.145 depósitos na Blaze, que somaram R$ 325,3 milhões. Também solicitou 4.068 saques, no valor total de R$ 266,5 milhões.

Entretanto, 1.335 dessas solicitações foram canceladas ou estornadas, representando R$ 86,2 milhões. Assim, o valor efetivamente retirado pelo advogado foi de R$ 180,3 milhões. A diferença entre os depósitos e os saques resultou em um prejuízo de aproximadamente R$ 144,98 milhões.

Na ação judicial, Tomaz questionou a atuação da plataforma e solicitou uma indenização de R$ 163,2 milhões. A Justiça de São Paulo rejeitou o pedido de ressarcimento, entendendo que o advogado assumiu os riscos envolvidos nas apostas.

A Blaze, administrada pela Foggo Entertainment, contestou as acusações e afirmou que as operações foram realizadas normalmente. A empresa também questionou os cálculos apresentados por Tomaz, apontando a ausência de depósitos realizados em determinados meses de 2026.

Polícia Federal investiga relação com Flávio Bolsonaro

As movimentações financeiras de Willer Tomaz também são analisadas pela Polícia Federal em uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e um ex-servidor do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, os investigadores identificaram movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões em uma conta bancária ligada ao advogado entre março e maio de 2025. A PF busca esclarecer a origem dos recursos e verificar possíveis irregularidades financeiras.

A investigação também identificou que Flávio Bolsonaro estava cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz. Para os investigadores, o registro, associado a outros elementos, levanta a hipótese de uma possível participação econômica ou societária do senador no negócio.

A assessoria de Flávio nega a existência de conta conjunta com o advogado. Os documentos da ação contra a Blaze não mencionam o candidato à Presidência nem apontam sua participação nas apostas realizadas por Tomaz.

Defesa nega irregularidades

Os advogados de Willer Tomaz afirmam que os R$ 6,6 bilhões representam a soma de apostas sucessivas, e não recursos novos colocados na plataforma. A defesa destaca que aproximadamente 97% do volume apostado retornou em prêmios, permitindo que os mesmos valores fossem reutilizados.

A equipe jurídica sustenta ainda que o dinheiro utilizado nas operações tem origem lícita, é compatível com os rendimentos do advogado e foi declarado à Receita Federal.

Os representantes de Tomaz também afirmam que a divulgação das informações às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais pode ter motivação política, já que o advogado mantém relação de amizade com Flávio Bolsonaro.

O caso ganhou repercussão em meio à disputa eleitoral e às cobranças pela abertura dos sigilos bancários e fiscais dos candidatos. A campanha de Lula incluiu a Alcazar Holdings entre as empresas cujos registros financeiros pretende tornar públicos.

A investigação da Polícia Federal continua em andamento. Até o momento, as suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e eventual participação societária de Flávio Bolsonaro não representam comprovação de envolvimento do candidato em atividades criminosas.