Os Estados Unidos anunciaram, na quarta-feira (21), um acordo empresarial para utilizar energia da Usina Hidrelétrica de Itaipu, administrada pelo Brasil e pelo Paraguai, no abastecimento de um centro de computação de alto desempenho. O projeto será desenvolvido em território paraguaio pelas empresas Crusoe, dos Estados Unidos, e Araico, do Paraguai, com previsão de início das operações em meados de 2027. Apesar de a hidrelétrica ser binacional, o Brasil não foi mencionado no comunicado divulgado pelo governo norte-americano.
O anúncio ocorreu durante a visita do vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, ao Paraguai, entre os dias 19 e 21 de outubro. O representante do governo Donald Trump participou de reuniões com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e outras autoridades para discutir investimentos em tecnologia, infraestrutura e cooperação econômica.
Segundo o Departamento de Estado norte-americano, o empreendimento poderá representar um dos maiores investimentos privados da história do Paraguai. Entretanto, o valor previsto para a construção e a quantidade de energia necessária para o funcionamento da instalação não foram divulgados oficialmente.
A parceria prevê a construção de uma estrutura tecnológica equipada com servidores de alto desempenho, destinados ao processamento de grandes volumes de dados e ao desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial.
A instalação também oferecerá serviços de computação em nuvem para clientes dos Estados Unidos e de países da América Latina.
Na prática, esses centros funcionam como grandes estruturas de processamento e armazenamento de informações. São utilizados por empresas e instituições que precisam executar programas complexos, armazenar arquivos e operar sistemas digitais sem manter toda a infraestrutura tecnológica em suas próprias instalações.
O diferencial do empreendimento anunciado está no fornecimento de energia hidrelétrica, considerada renovável. Centros de processamento de dados exigem grandes quantidades de eletricidade para manter servidores e sistemas de refrigeração em funcionamento.
A primeira etapa está prevista para entrar em operação em meados de 2027, mas ainda não foram detalhados o tamanho do complexo, sua capacidade de processamento ou o volume total de investimentos.
Embora o projeto dependa da eletricidade produzida por Itaipu, o comunicado do governo dos Estados Unidos não mencionou o Brasil, que divide com o Paraguai a administração da hidrelétrica.
A usina foi construída a partir de um tratado bilateral e pertence aos dois países, que têm direito a partes iguais da energia produzida.
Em manifestação sobre o anúncio, a Itaipu Binacional esclareceu que a visita de autoridades norte-americanas fazia parte da agenda oficial do governo paraguaio. A empresa explicou que ambos os países podem receber representantes estrangeiros nas instalações da usina sem necessidade de autorização prévia do outro sócio.
A administração também ressaltou que as regras de contratação e comercialização da eletricidade continuam submetidas ao Tratado de Itaipu.
Segundo a binacional, cabe a cada país decidir sobre a utilização de sua parcela de energia, sem interferência da administração da hidrelétrica nos projetos nacionais de consumo.
A iniciativa faz parte de uma aproximação econômica entre Estados Unidos e Paraguai, com foco em tecnologia, energia e infraestrutura.
Além do empreendimento de computação, a visita de Christopher Landau incluiu discussões sobre segurança regional, investimentos em minerais estratégicos e cooperação bilateral.
O projeto também coloca o Paraguai no mercado de infraestrutura voltada à inteligência artificial, setor que demanda fornecimento contínuo de eletricidade para operar equipamentos de grande capacidade.
Apesar do anúncio, a implementação ainda dependerá dos contratos de fornecimento de energia, da construção das instalações e das demais etapas de desenvolvimento.
Para o Brasil, o acordo chama atenção pelo uso de um recurso energético compartilhado entre os dois países. Segundo Itaipu, porém, as condições de comercialização permanecem vinculadas ao tratado binacional, e a definição do destino da energia paraguaia cabe ao próprio Paraguai.