O preço do petróleo voltou a subir nesta sexta-feira (23) e ultrapassou US$ 117 por barril, impulsionado pelo aumento das tensões militares no Oriente Médio. O Brent, principal referência internacional para a cotação do produto, chegou a aproximadamente US$ 117,45 durante as negociações, com valorização superior a 3%. O resultado representa o maior patamar desde abril de 2026 e reflete a preocupação do mercado com possíveis interrupções no fornecimento mundial de petróleo.
A alta ocorre após uma sequência de ataques e ameaças envolvendo o Irã, a Arábia Saudita e grupos armados que atuam na região. Na quinta-feira (22), autoridades iranianas afirmaram que sete navios petroleiros foram atingidos por ataques ou minas marítimas no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Os relatos não tiveram confirmação independente integral.
A instabilidade também aumentou depois de ataques dos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, contra alvos na Arábia Saudita. Na quarta-feira (21), uma ofensiva contra o Aeroporto Internacional Rei Fahd, em Dammam, deixou duas pessoas mortas e oito feridas, segundo as autoridades locais.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é uma passagem estratégica para o transporte de petróleo produzido nos países do Golfo Pérsico. A possibilidade de novos ataques contra embarcações comerciais aumenta os riscos para a navegação e preocupa os países que dependem das exportações da região.
As tensões também atingiram instalações estratégicas da Arábia Saudita, um dos principais produtores mundiais de petróleo. Em 16 de outubro, uma coalizão liderada pelo país informou ter interceptado um míssil lançado em direção a uma região considerada importante para sua infraestrutura.
Com o agravamento do conflito, investidores passaram a considerar o risco de interrupções na produção, no armazenamento e no transporte do produto. Essa preocupação contribui para elevar os preços internacionais, mesmo antes de uma eventual redução efetiva na oferta.
O aumento da cotação internacional do petróleo também pode produzir efeitos na economia brasileira, especialmente nos preços da gasolina e do diesel.
Como o petróleo é negociado internacionalmente em dólar, seu encarecimento pode elevar os custos de produção e importação de combustíveis. O impacto, entretanto, não é automático e depende de fatores como a cotação do dólar, os preços praticados pelas refinarias e as decisões comerciais das distribuidoras.
Caso a alta seja repassada aos combustíveis, o transporte de passageiros e mercadorias poderá ficar mais caro, com reflexos nos custos de alimentos e outros produtos que dependem do transporte rodoviário.
O mercado segue acompanhando os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio, especialmente a segurança das rotas marítimas e a capacidade dos países produtores de manter suas exportações.
A continuidade das tensões poderá provocar novas oscilações nos preços do petróleo nos próximos dias, enquanto uma redução dos riscos de abastecimento poderá aliviar a pressão sobre as cotações.